Arte coluna Bispo Abner 17 maio 2026Arte Paulo Márcio
Publicado 17/05/2026 00:00
A discussão sobre violência doméstica exige seriedade, equilíbrio e responsabilidade. Trata-se de um tema sensível, doloroso e profundamente humano, que não pode ser tratado nem com omissão, nem com exploração ideológica.

O sofrimento vivido dentro de muitos lares é real. Mulheres, crianças e famílias inteiras carregam marcas emocionais, físicas e espirituais produzidas pela violência doméstica.

Diante disso, nenhuma sociedade séria, nenhuma instituição responsável e nenhuma liderança moral pode permanecer indiferente.

A igreja não pode ser lugar de silêncio diante da violência.

A Bíblia protege a vida, a dignidade humana e a família.
O Evangelho jamais serviu de abrigo para agressão, humilhação ou abuso.
A autoridade espiritual e familiar nunca foi licença para violência. Pelo contrário: a fé cristã sempre ensinou responsabilidade, respeito, amor, domínio próprio e cuidado mútuo dentro do lar.

É necessário afirmar com clareza: violência doméstica é pecado, é crime e é destruição da família.

Defender a família não significa tolerar sofrimento oculto dentro de casa. Não significa exigir silêncio da vítima. Não significa transformar dor em aparência religiosa.

A autoridade familiar jamais pode ser utilizada como justificativa para violência, abuso ou humilhação.

Ao mesmo tempo, o enfrentamento desse problema exige equilíbrio, responsabilidade e compromisso com a preservação da família, da dignidade humana e da justiça.

Proteger a vítima e fortalecer a família não são objetivos opostos. São deveres complementares.

Proteger a família, nesse contexto, não significa preservar aparências, acobertar agressões ou exigir que vítimas permaneçam em ambientes de violência. Significa defender relações familiares construídas sobre respeito, responsabilidade, segurança, dignidade e integridade humana.

Nenhuma família será verdadeiramente fortalecida onde existirem medo, abuso ou violência.


Vivemos um tempo de forte polarização social e ideológica.
Em muitos momentos, temas extremamente delicados deixam de ser tratados com a profundidade humana necessária e passam a ser utilizados como instrumentos de disputa política, militância ou polarização institucional. Isso também exige prudência.


Reconhecer a existência da violência doméstica não significa transformar a igreja em inimiga da sociedade. Seria injusto ignorar o papel histórico desempenhado pelas igrejas evangélicas no acolhimento de pessoas feridas, abandonadas e vulneráveis.

Em milhares de comunidades brasileiras, especialmente nas regiões mais pobres, é a igreja que acolhe:

mulheres em sofrimento;
famílias destruídas;
dependentes químicos;
crianças vulneráveis;
pessoas emocionalmente fragilizadas.


Em muitas comunidades, antes mesmo da chegada de estruturas públicas de assistência, a igreja já se encontra presente oferecendo apoio espiritual, assistência social, aconselhamento e acolhimento humano.


Isso não elimina a necessidade de vigilância, responsabilidade e amadurecimento pastoral. Nenhuma instituição formada por seres humanos está imune a falhas. Mas também não é correto transformar possíveis erros individuais em acusação generalizada contra toda a comunidade cristã.

O caminho responsável continua sendo o equilíbrio.

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 reconhece a dignidade da pessoa humana como fundamento do Estado brasileiro e estabelece, em seu artigo 226, §8º, o dever de criação de mecanismos para coibir a violência no âmbito familiar.

Da mesma forma, a Lei Maria da Penha representa importante instrumento jurídico de proteção da mulher, especialmente em situações de risco e vulnerabilidade.

A igreja respeita a lei, reconhece a importância das autoridades constituídas e entende que situações de violência exigem responsabilidade concreta.


Por isso, a vítima precisa ser acolhida, ouvida com seriedade, orientada e, sempre que necessário, encaminhada aos meios legais de proteção.

O aconselhamento espiritual precisa ser equilibrado. A fé cristã não pode ser utilizada como instrumento de medo, manipulação emocional ou perpetuação do sofrimento.

Ao mesmo tempo, é importante compreender que o fortalecimento da família continua sendo uma necessidade social indispensável. Famílias saudáveis produzem estabilidade emocional, proteção moral, equilíbrio social e formação humana.

A sociedade não será fortalecida:

nem pela banalização da violência;
nem pela destruição da família;
nem pelo uso ideológico da dor humana.

Precisamos de responsabilidade, justiça, sensibilidade e maturidade institucional.

O Brasil necessita de famílias fortes, relações saudáveis e comunidades comprometidas com a dignidade humana.

E a igreja possui papel importante nessa construção:

ensinando valores;
promovendo reconciliação responsável;
acolhendo os feridos;
orientando com prudência;
protegendo a dignidade humana;
e reafirmando que a violência jamais pode ser normalizada.

Defender a família é proteger a vida.
Publicidade
Bispo Abner Ferreira
Leia mais