kakayonline19fevARTE KIKO
Publicado 19/02/2026 00:00
“Meu quintal é maior do que o mundo.” Manoel de Barros

Eu advogava para um dos maiores grupos dos EUA em um caso com repercussão internacional. Já trabalhando e com os honorários pagos, recebi a visita do presidente da empresa e da responsável pelo marketing do grupo no mundo. Chegaram ao hotel às 6h da manhã, no Rio de Janeiro, e marcaram a reunião às 7h, pois queriam voltar para Nova York à noite.
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Eu passei a noite em um baile pré-carnaval. Às 6 horas, fui direto para a piscina e, às 7 horas, estava pronto, sem dormir, no café da manhã. O americano, um tipo pedante e soberbo, veio falando comigo em inglês. Eu respondi que não falava a língua dele. Ele, perplexo, fez um ar de incredulidade. Eu, percebendo que se tratava de um norte-americano prepotente, indaguei: “Do you speak Russian?”. Ele disse que não. E eu continuei: “Mandarin? French? Italian?”. Como imaginei, ele não falava outra língua, e eu voltei para a piscina. Ele humildemente pediu para eu retornar e deixou que o presidente da empresa no Brasil servisse de intérprete. Ao final, ele disse que imaginou que um advogado de grandes causas no Brasil falasse obrigatoriamente inglês. Eu respondi a ele: “no Brasil, há 2 pessoas que não falam inglês: o Lula e eu”. Ganhei o caso sem precisar falar a língua do pedante norte-americano.

O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao Lula foi emocionante. Apoteótico. Já desfilei várias vezes e vou sempre à Avenida, mas esse foi diferente. Já escrevi que considero ser homenageado por uma escola de samba do Rio de Janeiro a maior honraria que um brasileiro pode receber. E a receptividade das pessoas nas arquibancadas e nos camarotes, cantando o samba com garra, foi realmente de arrepiar. É claro que tem uma elite bolsonarista que vai gastar seu tempo criando mentiras e chorando pelos cantos. O choro faz parte do jogo. Embora alguns integrantes dessa elite estranha abusem da estupidez de serem agressivos.

Nesta semana, em que os foliões do sambódromo cantavam a plenos pulmões a vida do nordestino que fugiu da fome e ganhou o mundo, nos bancos frios da Faria Lima, um gestor de fundos conhecido resolve atacar o Presidente Lula pelo fato de ele ser candidato novamente aos 81 anos de idade. Realmente, eles não suportam um fato simples: a população ama o Lula e vai reelegê-lo, pela quarta vez, no primeiro turno. Não tem nada com a idade. Isso é só mais um pretexto.

Já tentaram tudo: associaram-se a um ex-juiz parcial e golpista; prenderam o Lula ilegalmente por 580 dias; e inventaram toda sorte de mentiras. E o nosso bom nordestino demonstra que é imbatível. Porém, a indelicadeza não encontra limites: “vamos entregar o país para uma pessoa que amanhã pode estar senil”. Só errou ao falar “vamos”, pois não serão ele e o grupo dele a elegê-lo. Será o povo brasileiro que vai entregar o país de coração aberto, serão os brasileiros da Silva. Os verdadeiros donos deste país fantástico.

À noite, saio para jantar com o grande roteirista, artista multimídia, escritor e cineasta Neville D’Almeida, 85 anos e gênio da raça. Comentei sobre o comentário etarista, preconceituoso e, para minha surpresa, ele estava com um papel no bolso no qual havia escrito algumas palavras que representavam certa resistência contra a postura criminosa do etarismo. Disse-me: “o caráter não envelhece”. E entregou-me o papel: “o amor, a poesia, a sabedoria, a cultura, a arte, a fé, a sensibilidade, os sonhos, a lealdade, a cultura, a amizade, a honestidade”. É uma pena que os bolsonaristas não entendam o que realmente tem valor na vida.

Lembrando o nosso Fernando Pessoa:
“Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.”
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
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