Arte opiniao para o dia 25/06/2026arte o dia
Publicado 25/06/2026 00:00
“Mudar o mundo, meu amigo Sancho, não é loucura, não é utopia, é justiça!”
Dom Quixote
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O nosso escritório optou por não aceitar trabalhar em vários tipos de crimes. Não criticamos, em absoluto, colegas que advogam em qualquer processo. Mas optamos por não defender os golpistas de 8 de janeiro, que atentaram contra a democracia. Também não assumimos casos de pessoas envolvidas no tráfico ou de representantes de facções. Mas é evidente que todos têm o direito a uma boa defesa técnica.
Recentemente, um cliente nosso foi envolvido pela mídia em um complexo caso de homicídio, motivado por uma delação do cidadão que foi assassinado por uma poderosa facção. Em dado momento, nosso cliente foi retirado de sua residência por 4 homens fortemente armados e levado a um local ermo onde foi submetido a um julgamento pelos líderes da facção. Foi avisado de que, se fosse considerado culpado, seria executado sumariamente. Felizmente foi “absolvido” e saiu ileso.
Há uma história, contada em tom de piada, que define um pouco a necessidade de assumir opções, tanto na vida profissional quanto na política, ainda que, muitas vezes, a opção seja difícil. Um cidadão foi levado por criminosos a uma cela clandestina e, quando jogado violentamente ao chão, ouviu, apavorado e tenso, a sua “sentença”: “Nós vamos hoje à noite comer o seu cu!”. Ele começou a chorar e a se debater, indignado. Em seguida, a porta se abre e outra pessoa é jogada na cela, com a “sentença”: “Você terá, à noite, os 2 olhos furados”. E uma terceira pessoa, ao ser presa, ouviu: “Nesta noite vamos cortar suas mãos”. À noite, abriram a cela e vieram buscar os 3 para executar as “penas”. O primeiro, imediatamente, manifestou-se, até com certo alívio: “Eu sou o do cu”.
Hoje, vivemos, em todo o mundo, um extremismo perigoso pela imposição autoritária da extrema direita. A política, voz natural de toda expressão democrática, foi relegada a um plano inferior. Relegada como opção política. A pretexto de não fazer política, a direita empedernida faz política, afirmando que ela é um mal. Tudo dentro de uma estratégia exatamente de como fazer política. O mais grave é que, com essa postura, as discussões políticas estão sendo efetivamente deixadas de lado. O que predomina é a força, a prepotência e a mentira. A política, que pode representar uma oportunidade para a estabilidade democrática, é apresentada como um desvio e uma aberração.
Nunca fiz política partidária, embora saiba que, numa democracia representativa, os partidos são essenciais. Porém, entendo que a saída para o Estado democrático de direito é exatamente o exercício dentro do jogo político. Daí a importância de valorizar as discussões no âmbito do quadro partidário, representativo dos que se dedicam à boa política. Não é porque eu não gosto nem tenho paciência que eu não devo respeitar os ritos que sustentam a Democracia.
É claro que é lamentável acompanhar certos partidos políticos agirem como estruturas criminosas, mas mesmo esses graves desvios devem ser submetidos, sempre, a uma investigação criteriosa e cuidadosa dentro dos ritos democráticos e constitucionais.
Nestas eleições, mais uma vez, vamos fazer um enfrentamento entre a barbárie e a civilização. Vamos, ainda mais uma vez, ter que optar entre um projeto fascista, misógino e vazio de conteúdo e um projeto que, no mínimo, representa ares democráticos. Quando se confronta com a extrema direita, qualquer opção é melhor do que o esgoto de onde saem essas figuras escatológicas.
Mesmo com os riscos inerentes ao processo civilizatório, é assim que a democracia funciona. Vamos às urnas. Que vença a democracia.
É sempre bom nos lembrarmos de Bertolt Brecht no seu poema Os medos do regime:
“Um estrangeiro, voltando de uma viagem ao Terceiro Reich, ao ser perguntado quem realmente governava lá, respondeu: o medo.
Por que temem tanto a palavra clara?”
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
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