Arte coluna do Kakay 30-7-2026arte gerada com ia
Publicado 30/07/2026 00:00
“Em matéria de absurdo, tudo o mais são coisas.”
Ditado popular que define a convenção do PL
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Foi bizarro. Daqueles atos que provocam profunda vergonha alheia. E eu observei que os participantes no palanque estavam orgulhosos daquela bizarrice. A plateia, em boa parte, foi embora na metade do discurso do candidato. Mas as estrelas estavam exultantes. A participação do Presidente argentino Milei só pode ter sido convocada pelo marqueteiro petista, em uma jogada de mestre. Na festa, foi exibido um vídeo de IA do presidiário Bolsonaro, em provocação clara às regras eleitorais e, mais uma vez, descumprindo a cautelar do Supremo Tribunal que, se levada a sério, pode penalizar o candidato e senador Flávio Bolsonaro e, principalmente, o PL.
A torcida para que nada ocorra ao número 1 é enorme. Os democratas devem fazer tudo o que for necessário para manter essa candidatura. Lembrando-nos da máxima de Napoleão: “Nunca interrompa seu inimigo enquanto ele estiver cometendo um erro”. E eles erram o tempo todo.
Ainda passaram pelo palco real, virtual, surreal do festival outras figuras fantásticas, como Valdemar Costa Neto, Jair Filho, uma constrangida Michele, Moro, Netanyahu e outros caricatos. A expectativa, infelizmente frustrada, do Trump aparecer foi a maior decepção da festa. Com ele presente, seria uma convenção perfeita. Falha do Sidônio, nosso marqueteiro. E, claro, sentimos falta do Vorccaro, do Sicário, do Zema, do Caiado, do Queiroz (ah, por onde anda o Queiroz?), do Cláudio Castro, do Eduardo e do Carlos Bolsonaro. Mas não se pode ter tudo.
É interessante pensar nessa convenção. Tenho dito e escrito, nos últimos tempos, que é muito difícil disputar com quem não tem ética, não tem limites, não tem vergonha nem senso do ridículo. Esse é um grande problema de qualquer debate com os bolsonaristas. Em regra, indigentes intelectuais, eles se bastam. Adoram pneus, batem continência para a bandeira dos EUA, clamam pela Ditadura e repetem frases desconexas, tudo com uma empáfia que dá gosto. E, como têm um público cativo, que não contesta — quase uma seita satânica —, eles seguem apostando no caos. Sim, se analisarmos os últimos fatos da campanha do senador Flávio, a conclusão só pode ser que esperam uma outra facada monstra.
A repetição de fatos estranhos, de descumprimentos reiterados de decisões da Suprema Corte, de dividir palanque com um desqualificado argentino que se permite ofender o Presidente Lula, a permanência na candidatura bolsonarista depois dos R$ 61 milhões do Vorcaro, as mentiras que envergonhariam se eles fossem sérios, enfim, as trapalhadas em série. Nada os abala. Caminham como bois tangidos por um berrante rumo ao matadouro.
Mas não tenhamos dúvidas: todas essas trapalhadas, se analisadas sob o prisma bolsonarista, fazem parte de uma estratégia eleitoral perigosa. Eles conhecem a parte podre da elite brasileira, mas temem a parte sensata, coerente, com afinado senso de justiça, de estado, de nação. Eles não têm vergonha de usurpar e explorar a fé do brasileiro simples, que não cansam de enganar e manipular. Eles ficaram bilionários no primeiro governo, cometendo todo tipo de atrocidade. Eles têm ao seu lado a ultradireita, com o apoio do atual e lunático presidente dos EUA, que logo passará. Eles trabalham sem pestanejar com a mentira e a falsidade. É sempre difícil ter como adversário um grupo completamente sem escrúpulos. Mas vamos resistir e a Democracia vai ganhar.
Lembrando-nos do grande Saramago: “Tentei não fazer nada na vida que envergonhasse a criança que fui”.
Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
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