O Rio foi o segundo destino dos turistas estrangeiros em 2025, com mais de 2 milhões de visitantesTomaz Silva/Agência Brasil
Publicado 29/12/2025 17:56
No calçadão de Copacabana, entre muitos idiomas e sotaques, Ana Paula ajeita as peças de artesanato que produz no pequeno ateliê improvisado em casa. Colares de sementes, bolsas de tecido estampadas à mão, lembranças que cabem na mala e carregam um pouco da cidade. Há alguns anos, as vendas eram incertas. Hoje, quase todo dia alguém para, pergunta o preço em espanhol ou inglês e sai com um sorriso — e uma sacola — na mão. Para Ana Paula, o turismo não é um conceito abstrato nem um número em relatório: é a diferença entre fechar o mês no vermelho ou garantir renda para sustentar a família.
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Histórias como a dela ajudam a explicar por que o turismo é uma das engrenagens mais poderosas da economia brasileira. Muito além dos grandes hotéis e resorts, são os pequenos negócios — artesãos, guias, ambulantes, pousadas familiares, bares de bairro — que sentem diretamente o impacto do aumento de visitantes. E os números confirmam esse movimento. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 9 milhões de turistas estrangeiros — um recorde histórico que supera em 30% a previsão inicial de 6,9 milhões estabelecida pelo Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024-2027.
As projeções para 2026 são animadoras, especialmente para o estado do Rio de Janeiro. Os dados indicam um crescimento na emissão de passagens aéreas para a capital fluminense no verão de 2026, além da ampliação da malha aérea internacional com chegada pelo Aeroporto do Galeão. Segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, os resultados são fruto de uma estratégia consistente de promoção internacional, reposicionamento da imagem do Brasil no exterior e atuação coordenada com o trade turístico e mercados prioritários. Definitivamente, o Brasil voltou ao mapa do turismo mundial. Ainda está longe dos principais destinos; mas está em crescimento.
Em 2025, a Argentina liderou como principal país emissor de turistas para o Brasil, com 3,1 milhões de visitantes em 11 meses, o que representa um crescimento expressivo de 82,1% em relação a 2024. Na sequência, aparecem Chile, Estados Unidos, Uruguai e Paraguai. Em termos de portões de entrada, São Paulo segue na liderança, com quase 2,5 milhões de turistas internacionais — sobretudo pelo hub em que se transformou o Aeroporto Internacional de Guarulhos —, seguido de perto pelo Rio de Janeiro, que recebeu quase 2 milhões de visitantes estrangeiros entre janeiro e novembro.
Para o Sebrae, esse desempenho está diretamente ligado a uma estratégia articulada com a Embratur, focada na inserção dos micro, pequenos e médios negócios nas ações de promoção internacional. O presidente da entidade, Décio Lima, reforça que o turismo impulsiona a economia justamente porque movimenta uma vasta rede de empreendedores locais.
Enquanto os números seguem crescendo, Ana Paula continua montando sua barraca ao amanhecer. Cada turista que passa é mais do que um visitante: é uma chance de manter vivo um pequeno negócio e provar que, no Brasil, o turismo gera empregos não apenas nos grandes empreendimentos, mas principalmente nas mãos de quem transforma cultura, criatividade e trabalho em sustento diário.
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