Estação Primeira de Mangueira desfila na Sapucaí Carlos Elias/Agência O Dia
Publicado 16/02/2026 09:18
Meu artigo de hoje não poderia ter outro tema: o Carnaval. Enquanto milhões de pessoas brincam nas ruas e se maravilham com o espetáculo nas passarelas do samba estado afora, estou aqui pensando no quanto a festa mais popular do Brasil influencia nossa economia.
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Muito “tiozão”, dirão alguns. Afinal de contas, falar em economia em plena folia?
Pode soar arcaico e fora do tom. Mas recorro a uma interessante análise feita pela economista ítalo-americana Maria Mazzucato, uma das mais influentes da atualidade. Em entrevista à Agência Brasil, ela aponta que o retorno para a economia de cada real investido em cultura e artes – o que inclui o Carnaval – é maior do que em certas indústrias, como a automobilística. Mazzucato sustenta que o investimento público na indústria cultural contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional.
Na cidade do Rio de Janeiro, o resultado é material e a olhos vistos. Não é de hoje que as escolas de samba se tornaram uma indústria poderosa, que movimentam milhares de trabalhadores durante o ano inteiro. São carpinteiros, costureiras, designers, compositores e um exército de outros profissionais que ocupa as quadras e galpões, transformando em realidade o sonho que nasce do papel. O que seria uma simples diversão da comunidade do bairro se tornou meio de sustento para muita gente – e projeta a capital fluminense para o mundo, atraindo visitantes e conquistando com o soft power que o brasileiro tem melhor do que ninguém.
Este ano, no Carnaval Carioca, Governo Federal, Governo do Estado e Prefeitura do Rio estão investindo, juntos, R$ 78 milhões em infraestrutura e divulgação. Como contrapartida, projetam um retorno de R$ 10 bilhões, com a geração de até 70 mil empregos. Ou seja: para cada real investido na Festa de Momo, o estado do Rio ganhará R$ 250.
Isso só para citar o impacto econômico. Como se sabe, os efeitos do Carnaval vão muito além da geração de emprego e renda. São quatro dias para descansar a mente e cansar o corpo, seja nas praias, nos blocos de rua ou no Sambódromo. São dias de alegria merecidos, em meio a um noticiário que não anda, assim, tão festivo. É a pura alegria. E alegria, como se sabe, é um poderoso remédio. Então, é hora de aproveitar!
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