O prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, planta mudas nativas no Parque Ecológico da CidadeCésar Ferreira
Publicado 03/03/2026 12:14
Pensar um município de forma estratégica, com horizonte de longo prazo e foco na descarbonização, deixou de ser uma utopia distante. Em Campos dos Goytacazes, essa visão começa a ganhar forma concreta. Idealizado por especialistas de diferentes áreas, sob a orientação do prefeito Wladimir Garotinho, o programa “Campos do Futuro” reúne um conjunto de ações integradas que articulam agropecuária, sustentabilidade ambiental e geração de empregos verdes. O objetivo é claro: elevar a qualidade de vida da geração atual sem comprometer as próximas.
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Entre os parceiros estratégicos está a Tree Agroflorestal S.A. (Tree+), empresa dedicada a projetos de restauração ecológica, manejo florestal sustentável e geração de créditos de carbono, sempre associados à recuperação de paisagens degradadas. No Norte Fluminense, além de Campos, a companhia também atua em Quissamã e São Francisco de Itabapoana.
Nesta segunda-feira (2), uma excelente notícia reforçou o potencial transformador dessa parceria: a Tree+ firmou contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de R$ 151,8 milhões, para a restauração ecológica de 15 mil hectares de áreas degradadas do bioma Mata Atlântica. Os recursos são oriundos do Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos e serão destinados ao plantio e à regeneração de vegetação nativa na região.
A relevância da iniciativa se torna ainda maior quando se observa o contexto: a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com menor cobertura vegetal remanescente — situação particularmente sensível no Norte Fluminense. Ao mesmo tempo, é um dos ecossistemas mais ricos do planeta, abrigando cerca de 20 mil espécies vegetais, o que representa aproximadamente 35% das espécies brasileiras. A combinação entre diversidade e capacidade de regeneração mostra que, com planejamento e investimento adequados, é possível reverter décadas de degradação.
Mais do que recuperar árvores, o projeto mira uma transformação estrutural. A restauração florestal impacta diretamente a qualidade do solo, ampliando sua capacidade de infiltração e armazenamento de água, fortalecendo a segurança hídrica e reduzindo riscos ambientais. O modelo incorpora produtores rurais como parceiros estratégicos, utilizando sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) para aliar produtividade e conservação. O resultado é um ciclo virtuoso que conecta geração de renda, mitigação climática e desenvolvimento rural sustentável.
A assinatura do contrato com o BNDES dialoga com outras ações já em curso no âmbito do “Campos do Futuro”. Entre elas, destaca-se a criação do Parque Ecológico da Cidade, com 10 hectares de Mata Atlântica, projetado para se tornar um novo pulmão verde em uma área historicamente carente de cobertura vegetal. Outro projeto emblemático é o Vias Verdes, que prevê o plantio de cerca de 2.200 árvores nativas ao longo de 25 quilômetros de ruas e avenidas da área urbana de Campos. A proposta vai além do paisagismo — trata-se de requalificar o espaço público, reduzir ilhas de calor e incorporar a agenda climática ao cotidiano da população.
Campos dos Goytacazes dá sinais de que é possível conciliar crescimento econômico, justiça ambiental e inovação produtiva. Ao integrar restauração florestal, apoio ao produtor rural e requalificação urbana em uma mesma estratégia, o município aponta para um novo paradigma de desenvolvimento regional — um modelo em que o verde deixa de ser apenas paisagem e passa a ser ativo econômico, social e climático. Se mantiver consistência e continuidade, com o apoio de parceiros estratégicos, como a Tree+, o “Campos do Futuro” pode transformar a agenda ambiental em vetor permanente de prosperidade.
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