Vista aérea da Barra do Furado: pedra fundamental do Complexo Logístico foi lançada no sábado (21)César Ferreira
Publicado 25/03/2026 13:11
Há dias em que o noticiário do estado do Rio de Janeiro parece andar em círculos — crises anunciadas, incertezas políticas, promessas que ficam pelo caminho. Mas há dias em que o vento muda de direção. Neste momento de tantas incertezas, ele sopra com força no Norte Fluminense.
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Na terça-feira (24), a Vast — braço logístico da Prumo — e a HIF Global anunciaram um acordo para construção de uma estrutura de tancagem voltada ao armazenamento e à movimentação de e-metanol no Porto do Açu, no litoral de São João da Barra. O e-metanol nasce da combinação entre hidrogênio verde e dióxido de carbono capturado. Trata-se de um combustível sintético que conversa com o presente, mas aponta para um amanhã mais limpo — e, talvez, mais estratégico. Se sair do papel — o projeto ainda depende da decisão final de investimento da HIF — o projeto prevê um contrato de 15 anos e uma tancagem de 40 mil metros cúbicos no Terminal de Líquidos do Açu, historicamente ocupado por derivados de petróleo.
E como se o vento não quisesse soprar sozinho, ele cruzou a divisa e chegou a Campos dos Goytacazes. No último sábado (21) , começou a sair do papel um projeto que passou décadas sendo mais promessa do que realidade: o Complexo Logístico Industrial Farol/Barra do Furado. A pedra fundamental foi lançada com a presença do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, do vice-prefeito, Frederico Paes, do prefeito de Quissamã, Marcelo Batista, e do presidente da BR Offshore, Ricardo Luiz Vianna. Liderado pela BR Offshore e estimado em R$ 850 milhões, o Complexo traz consigo a proposta de construção de uma base de apoio offshore e de uma instalação voltada à reciclagem de embarcações.
Talvez o ponto mais curioso dessas histórias não esteja apenas nos investimentos, nos números ou nos discursos. Está no contraste. Enquanto o poder público estadual ainda tropeça em velhos gargalos de infraestrutura, a iniciativa privada, com o suporte das prefeituras, parece ter entendido algo essencial: o Norte Fluminense não é promessa, é possibilidade concreta. Por muito tempo, a região assistiu de longe às decisões tomadas nos palácios. Agora, sem muito alarde, começa a escrever suas próprias manchetes.
E talvez seja isso que mais chama atenção. Porque, em meio a um estado que ainda busca seu rumo, é no interior — entre portos, canais e projetos que finalmente saem do papel — que surgem os sinais mais claros de uma nova direção.
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