Publicado 06/04/2026 13:25
Os números do IBGE estão aí para que não haja dúvidas: as mulheres são maioria da população (51,5%). No entanto, seguem sub-representadas nos espaços de poder político e na administração pública. Esse desequilíbrio não é apenas simbólico — ele impacta diretamente a formulação de políticas públicas, a distribuição de recursos e a própria qualidade da democracia.
PublicidadeNo mercado de trabalho, elas também são presença significativa, representando aproximadamente 43% da força de trabalho formal. Ainda assim, enfrentam obstáculos estruturais que limitam seu acesso a posições de liderança. Apenas cerca de 37% dos cargos de chefia são ocupados por mulheres no país.
A desigualdade se aprofunda quando analisamos a remuneração. Mesmo com níveis de escolaridade em média superiores aos dos homens, as mulheres recebem cerca de 20% a menos que seus colegas masculinos em funções equivalentes. Essa diferença evidencia que a desigualdade de gênero não é resultado de qualificação, mas de barreiras históricas e culturais. Sem falar que, na maioria dos casos, as mulheres ocupam uma jornada dupla, ao acumular as tarefas do trabalho e da casa.
Na política, o cenário é ainda mais crítico. As mulheres ocupam pouco mais de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e cerca de 15% no Senado Federal, números que colocam o Brasil abaixo da média global em representatividade feminina. Em nível municipal, a realidade também é preocupante.
Um levantamento recente da República.org, com base em dados do IBGE de 2023, revela que apenas 31% dos municípios brasileiros possuem um órgão executivo dedicado às políticas públicas para mulheres, como secretarias ou coordenadorias específicas. Embora tenha havido avanço em relação a 2018, quando esse índice era de apenas 20%, o ritmo de crescimento ainda é lento. Na prática, isso significa que, em quase sete a cada dez cidades, as demandas femininas sequer têm um espaço institucional definido dentro da gestão pública.
Essa ausência de estrutura reflete, e ao mesmo tempo reforça, a baixa prioridade dada às políticas de gênero na maioria dos municípios. Sem representação adequada, temas como combate à violência contra a mulher, igualdade salarial, acesso à saúde e apoio à maternidade tendem a perder espaço na agenda pública.
Ampliar a participação feminina na política e na administração pública não é apenas uma questão de justiça social — é uma necessidade estratégica. Diversos estudos apontam que ambientes mais diversos produzem decisões mais equilibradas, inovadoras e eficazes.
O Brasil já deu passos importantes, como a adoção de cotas para candidaturas femininas. No entanto, é preciso avançar na garantia de condições reais de participação, financiamento adequado de campanhas, combate à violência política de gênero e incentivo à formação de lideranças femininas. Porque a democracia só se fortalece quando é capaz de representar de fato a diversidade de sua população. Ignorar a voz das mulheres — maioria no país — é comprometer o presente e limitar o futuro.
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