Publicado 22/04/2026 08:32
Enquanto boa parte do debate público no estado do Rio de Janeiro segue concentrada nas incertezas políticas do momento, um outro movimento ganha força longe da capital: o avanço do turismo no interior fluminense.
PublicidadeOs números mais recentes são animadores. Nesta semana de feriadão, a taxa média de ocupação hoteleira no interior chegou a 77,43%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. Em algumas cidades, o desempenho foi ainda mais expressivo: Nova Friburgo ultrapassou os 82%. Vassouras passou dos 80%. Destinos consagrados, como Angra dos Reis, Paraty, Armação de Búzios e Rio das Ostras, também registraram índices elevados. Mesmo municípios menos tradicionais no circuito turístico, como Valença (com destaque para Conservatória), Macaé e Arraial do Cabo, mostraram fôlego.
Mais do que números pontuais, esses dados revelam uma tendência: o turista está olhando para além da capital. As regiões de serra, com clima mais ameno e forte apelo natural, seguem entre as preferidas, como mostra a alta procura por Visconde de Mauá. Ao mesmo tempo, cidades como Resende e Cabo Frio ampliam seu protagonismo, diversificando o mapa turístico do estado.
Esse crescimento não acontece por acaso. Há um esforço de promoção dos destinos, participação em feiras e realização de eventos que ajudam a colocar o interior do Rio no radar nacional. O reconhecimento também vem de fora: localidades como Conservatória e Visconde de Mauá figuraram entre os destinos mais acolhedores do Brasil em 2026, segundo premiação internacional da Booking.com.
Diante desse cenário, é impossível ignorar o potencial estratégico do turismo. Trata-se do segundo setor que mais gera empregos no estado, ficando atrás apenas da indústria do petróleo. Mas, ao contrário do setor de óleo & gás, o turismo oferece a vantagem de ser uma indústria limpa, sustentável e com capacidade de distribuição de renda muito mais capilarizada, alcançando pequenos negócios, produtores locais e comunidades inteiras.
É justamente aí que entra um ponto crucial. Em meio ao atual vácuo político vivido pelo Governo do Estado, com uma gestão interina que naturalmente tende à cautela, falta uma aposta mais firme e estruturada nesse setor. O turismo não pode ser tratado como complemento — ele precisa ser encarado como política econômica central.
Investir em infraestrutura é o primeiro passo: melhorar estradas, qualificar serviços, ampliar a conectividade e garantir segurança são medidas básicas para sustentar o crescimento. Mas é preciso ir além. A criação de roteiros integrados — conectando, por exemplo, destinos de serra, litoral e patrimônio histórico — pode aumentar o tempo de permanência do turista e, consequentemente, o volume de receita gerada.
O interior do Rio de Janeiro já mostrou que tem atrativos, identidade e demanda. O que falta é transformar esse potencial em estratégia de longo prazo. Ao fazer isso, o estado não apenas fortalece sua economia, mas também reduz sua dependência dos royalties do petróleo — uma fonte de receita volátil e finita. O interior já deu o sinal. Cabe agora ao estado decidir se vai aproveitar essa oportunidade — ou deixar que ela passe.
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