A crise que acontece no Oriente Médio tende a afetar a economia brasileira, com reflexos para a populaçãoTânia Rêgo/Agência Brasil
Publicado 22/07/2026 13:06
O agravamento das tensões no Oriente Médio volta a lembrar uma velha realidade: conflitos internacionais têm impacto direto sobre a economia brasileira. As ameaças simultâneas aos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, duas das principais rotas de escoamento do petróleo mundial, reacenderam o temor de uma crise energética global. Com o preço do barril de petróleo tipo Brent ultrapassando 91 dólares e projeções de que possa voltar ao patamar de 120 dólares, o mundo acompanha com preocupação os riscos de desabastecimento e de aumento da inflação. Para o Brasil e para o estado do Rio de Janeiro, os reflexos podem ser significativos.
Publicidade
Numa visão de curto prazo, o aumento no preço do petróleo pode levar à falsa sensação de que o Rio de Janeiro — maior exportador do país — saia ganhando com este conflito, sobretudo com o aumento dos royalties (estes são calculados com base na produção de óleo e na cotação internacional do barril). Só que não. O preço do ouro negro em alta tende a elevar o preço do diesel e dos fretes marítimos e terrestres. E praticamente nenhum setor passará ileso, dada a profunda dependência dos derivados de petróleo para movimentar a economia nacional.
Em um país cuja produção agrícola depende intensamente do transporte rodoviário, o aumento dos combustíveis pressiona toda a cadeia do agronegócio, desde a produção até a exportação. Embora o bloqueio de Bab el-Mandeb não afete diretamente as exportações brasileiras de soja e milho para a Ásia, seus efeitos indiretos são relevantes. O país é fortemente dependente da importação de fertilizantes, especialmente ureia e amônia provenientes do Oriente Médio.
Com navios sendo desviados para rotas mais longas, os custos logísticos aumentam e os insumos ficam mais caros. O encarecimento do petróleo eleva o preço do diesel e dos fretes marítimos e terrestres. Tão certo quanto dois e dois são quatro, o aumento dos combustíveis pressionará toda a cadeia produtiva, além do agro, desde a produção até a exportação, com reflexos no bolso do consumidor final — no caso, a população.
Mais uma vez, o cenário mundial demonstra que guerras e crises geopolíticas ultrapassam fronteiras. O preço do petróleo e o custo das exportações do agronegócio brasileiro tornam-se reféns de conflitos distantes, reforçando a necessidade de maior segurança energética e logística para reduzir a vulnerabilidade da economia nacional.
Nesse cenário, o Brasil precisa avançar em políticas que reduzam sua dependência da volatilidade do petróleo internacional. Investimentos em fontes renováveis, como energia solar, eólica e biocombustíveis, ampliação da produção nacional de fertilizantes e fortalecimento da infraestrutura ferroviária e hidroviária podem diminuir custos logísticos e aumentar a competitividade do agronegócio. Mais do que uma questão econômica, trata-se de uma estratégia de soberania, capaz de tornar o país menos vulnerável às crises geopolíticas e às oscilações dos mercados globais.
Leia mais