Publicado 29/07/2026 08:05
Há cidades que parecem nascer prontas. Outras vão se descobrindo com o tempo. Macaé pertence ao segundo grupo. É daquelas que aprenderam a conversar com o oceano azul muito antes de dialogar com as plataformas de petróleo. Uma terra onde a areia morena beija o mar. E talvez seja justamente por isso que tenha conseguido transformar tantas mudanças em parte da sua própria identidade.
PublicidadeA Princesinha do Atlântico, que completa 213 anos nesta quarta-feira (29), sempre teve no oceano o seu maior espelho, tendo o Arquipélago de Santana como testemunha. Nele, viu pescadores saindo antes do amanhecer, famílias construindo suas histórias à beira-mar e turistas encontrando um refúgio entre praias, lagoas e montanhas. Durante muito tempo, esse era o retrato da cidade.
Então veio o petróleo. Quase da noite para o dia, Macaé ganhou um novo sobrenome: Capital Brasileira do Petróleo. As ruas passaram a ouvir diferentes sotaques. Empresas do mundo inteiro chegaram trazendo oportunidades, tecnologia e desafios. O município cresceu, multiplicou bairros, ampliou horizontes e passou a viver num ritmo que poucas cidades brasileiras conheceram. Hoje abriga 265 mil pessoas, cerca de 5 mil empresas ligadas à cadeia produtiva de óleo & gás e uma infinidade de culturas e sotaques.
Quem visita Macaé pela primeira vez talvez veja apenas guindastes, helicópteros cruzando o céu ou caminhões seguindo rumo às bases operacionais. Mas quem permanece um pouco mais descobre que existe muito mais por trás dessa força econômica. Descobre o pôr do sol no Pecado. Descobre o charme do Sana, onde rios e cachoeiras lembram que a natureza também escreve a história da cidade. Descobre uma gastronomia que mistura o sabor caiçara com influências trazidas por gente de todos os cantos do Brasil. Descobre um município que aprendeu que riqueza não se mede apenas pelo que sai do subsolo, mas também pelo que floresce na superfície.
Sem abandonar sua vocação energética, Macaé passou a olhar com mais atenção para outras possibilidades. O turismo e a agricultura ganham espaço, a economia busca novos caminhos, a inovação se fortalece e surgem iniciativas que pensam no futuro para além dos ciclos naturais da indústria do petróleo. Aos poucos, consolida-se como polo na geração de energia, abrigando hoje 11 projetos de usinas termelétricas a gás natural com potência instalada de 16 gigawatts. É como se Macaé dissesse, com serenidade, que uma cidade pode honrar sua história sem ficar presa a ela.
Neste aniversário, mais do que celebrar números, investimentos ou indicadores econômicos, vale comemorar algo ainda mais valioso: a capacidade de sonhar um novo futuro sem esquecer as próprias raízes. Que a Princesinha do Atlântico continue encontrando no mar a inspiração para navegar rumo a novos tempos. E que o vento que um dia impulsionou os barcos dos pescadores continue soprando em todas as oportunidades que estão por vir.
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