Projeção do futuro Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado, entre Campos e QuissamãDivulgação BR Offshore
Publicado 04/08/2026 06:34
De forma silenciosa, sem alarde, um dos projetos de logística mais promissores do estado do Rio de Janeiro começa a sair do papel: o Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado. Localizado na foz do Canal das Flechas, no limite entre os municípios de Campos e Quissamã, o empreendimento terá como principal objetivo o descomissionamento (desativação) de embarcações, com foco especial nas plataformas das Bacias de Campos que serão tiradas de circulação nos próximos anos.
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Não é pouca coisa. No período 2026-2030, somente a Petrobras planeja descomissionar 18 plataformas que atuam em poços cuja vida útil terá chegado ao fim. Serão investidos 9,7 bilhões de dólares nessa operação, que envolve rígidas normas internacionais de segurança e preservação ambiental. Desmontar uma embarcação ou plataforma exige o descarte correto da estrutura desmontada, com as possibilidades de reutilização, reciclagem ou reaproveitamento de equipamentos e materiais.
A foz do Canal das Flechas tem localização estratégica para esta atividade, dada a proximidade com os campos maduros da Bacia de Campos. Projeto desenhado há mais de duas décadas pelas Prefeituras de Campos e Quissamã, o Complexo Logístico será financiado por uma empresa privada — a BR Offshore — a um custo estimado em R$ 950 milhões, com a geração de aproximadamente 700 empregos diretos e 1.400 indiretos. A pedra fundamental foi lançada em março deste ano.
Com a licença ambiental em fase de conclusão, ao encerrar 2026 é muito provável que as obras já tenham começado. Será necessário concluir espigões de pedra que protegem a entrada do Canal das Flechas, minimizando o efeito do mar forte para possibilitar a entrada e saída de embarcações. Utilizando um sistema de bombeamento de areia, a foz do canal será aprofundada para uma média de 7 metros. Paralelamente, será montada uma estrutura moderna para receber as empresas que trabalharão no descomissionamento.
As conversas andam adiantadas. No dia 7 de julho, a BR Offshore, com apoio institucional da Prefeitura de Campos, promoveu, no Instituto Federal Fluminense (IFF), o Workshop “Cadeia de Suprimentos na Reciclagem de Embarcações”. Durante o dia, o evento reuniu especialistas em descomissionamento, legislação, perspectivas do setor de óleo & gás, sustentabilidade, desafios e oportunidades. Foram convidadas empresas da região com potencial para se tornarem fornecedores de bens e serviços ao Complexo. A cereja do bolo foi uma rodada de negócios, na qual essas empresas puderam se apresentar à BR Offshore.
É fato: o Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado é um caminho sem volta. O empreendimento reforça o protagonismo do Norte Fluminense no setor portuário e naval, como uma nova fronteira que se abre ao desenvolvimento regional e do estado do Rio. E é justamente por isso que os empresários da região precisam estar atentos. Haverá demanda por serviços de engenharia, metalurgia, transporte, logística, manutenção, alimentação, hospedagem, segurança, gestão de resíduos, tecnologia e uma infinidade de atividades que compõem uma cadeia produtiva complexa. Quem se preparar desde já terá vantagem quando o complexo entrar em operação.
Ao Governo do Estado, também caberá fazer a sua parte. Não basta celebrar um investimento de quase R$ 1 bilhão se os acessos à Barra do Furado continuarem precários. Será indispensável planejar e executar melhorias na infraestrutura viária, garantindo segurança e eficiência para o transporte de cargas, trabalhadores e equipamentos. Grandes projetos exigem grandes conexões. Se o Rio de Janeiro quer transformar o Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado em um novo polo de desenvolvimento, precisa começar abrindo os caminhos que permitam ao progresso chegar até lá. E vale reforçar: não é utopia, já é realidade.
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