Publicado 05/08/2026 08:06
Há contradições que desafiam qualquer lógica de desenvolvimento. Maior cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, referência em saúde, educação, comércio, agronegócio e serviços, Campos está há quase um ano e meio sem voos comerciais regulares. Principal polo da indústria de petróleo e gás do Brasil, Macaé vive exatamente a mesma situação. É como se duas das mais importantes engrenagens da economia fluminense tivessem sido desconectadas do restante do país.
PublicidadeO prejuízo vai muito além da comodidade de quem precisa viajar. A ausência de transporte aéreo regular significa perda de competitividade, redução da capacidade de atrair investimentos, aumento dos custos para empresas e dificuldades para realização de eventos. Também cria obstáculos para profissionais, pesquisadores, executivos, turistas e prestadores de serviços que precisam chegar rapidamente à região.
Quem faz negócios sabe que tempo também é dinheiro. Quando um empresário precisa percorrer centenas de quilômetros até outro aeroporto antes mesmo de embarcar, quando investidores desistem de agendas pela dificuldade de acesso ou quando empresas passam a considerar outros destinos mais conectados, o impacto econômico deixa de ser uma hipótese e passa a ser uma realidade.
É verdade que o setor aéreo enfrenta dificuldades. O aumento dos custos operacionais, a valorização do querosene de aviação, a escassez mundial de aeronaves e a necessidade de rentabilidade das companhias são fatores conhecidos. Mas reconhecer esses desafios não pode servir de justificativa para a inércia do poder público.
O estado do Rio de Janeiro demonstrou recentemente que políticas públicas podem influenciar a distribuição da malha aérea. A adoção de medidas e incentivos que fortaleceram o Aeroporto Internacional do Galeão contribuiu para reequilibrar o fluxo de voos que havia se concentrado excessivamente no Aeroporto Santos Dumont. Se houve capacidade para intervir em favor de um sistema aeroportuário mais equilibrado na capital, também deve haver disposição para construir mecanismos que incentivem a retomada dos voos comerciais no interior.
Isso não significa impor rotas às companhias aéreas, mas criar um ambiente favorável para que elas enxerguem viabilidade econômica. Incentivos fiscais, programas de estímulo, compartilhamento de riscos, parcerias institucionais, promoção da demanda regional e articulação entre governos, setor produtivo e empresas aéreas são instrumentos utilizados em diversas partes do mundo para garantir conectividade a regiões estratégicas. Aeroporto não é apenas um equipamento de transporte - é infraestrutura de competitividade. É um ativo capaz de reduzir distâncias, facilitar investimentos, fortalecer cadeias produtivas e ampliar oportunidades.
O interior fluminense produz riqueza, gera empregos e lidera setores estratégicos da economia nacional. O que falta é conexão. Uma região com tamanha importância não pode depender de longas viagens rodoviárias para se ligar à malha aérea. Permanecer isolado em pleno século XXI não é apenas um atraso logístico. É uma escolha que custa caro à economia, afasta oportunidades e limita o futuro do Norte Fluminense.
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