Carteira de trabalho: o símbolo do emprego precisa estar mais presente no RioMarcelo Casal Jr/Agência Brasil
Publicado 20/08/2026 06:13 | Atualizado 20/08/2026 06:46
Há algo de paradoxal no Rio de Janeiro. O estado que se acostumou a ser sinônimo de petróleo, energia, indústria, turismo, portos, serviços e grandes investimentos ainda convive com uma taxa de desemprego que parece não combinar com tanta riqueza. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, divulgada na semana passada, mostra que 7,1% dos fluminenses estão desempregados. É a oitava maior taxa entre as 27 unidades da Federação, acima dos 5,4% da média brasileira.
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O Rio produz muita riqueza, mas não consegue distribuí-la na forma de oportunidades na mesma velocidade. Petróleo e gás são exemplos desse paradoxo. São fundamentais para a economia fluminense, movimentam bilhões e geram tecnologia, mas são atividades intensivas em capital e não necessariamente em empregos.
Enquanto isso, há regiões onde grandes investimentos parecem pertencer a outro mapa. Também existe um desencontro entre o que a economia procura e o que o trabalhador consegue oferecer. Empresas precisam de profissionais preparados para novas tecnologias, indústria, logística, energia e serviços especializados, enquanto muitos trabalhadores permanecem à margem dessas oportunidades. O Rio tem universidades e centros de pesquisa de excelência, mas ainda precisa aproximar esse conhecimento do mundo do trabalho.
E há a infraestrutura. Não basta ter portos, estradas, ferrovias e aeroportos. É preciso que eles conversem entre si. Uma logística eficiente reduz custos, atrai empresas e pode levar desenvolvimento para além dos polos tradicionais. Obras importantes com potencial de conectar o território fluminense com o restante do Brasil, como o Anel Ferroviário do Sudeste, continuam no papel.
Outro caminho que o Rio precisa explorar com mais ambição é o da cadeia produtiva da saúde, um setor com enorme capacidade de gerar empregos qualificados e movimentar diferentes áreas da economia. O estado reúne grandes laboratórios, hospitais de referência, universidades e importantes centros de pesquisa, além de uma concentração de conhecimento científico que poucos estados brasileiros possuem. O desafio é transformar essa infraestrutura em uma cadeia produtiva mais integrada, capaz de estimular a pesquisa, a inovação, a produção de medicamentos, equipamentos e tecnologias, além de atrair investimentos e fortalecer empresas locais.
O Rio precisa aproveitar esse movimento para olhar para o próprio futuro. Diversificar a economia, qualificar trabalhadores, fortalecer pequenos negócios, melhorar a infraestrutura e transformar grandes investimentos em cadeias produtivas locais são caminhos possíveis. Não é falta de potencial, e sem dificuldade de transformar o potencial existente em desenvolvimento espalhado pelo território.
A verdadeira força de um estado não está apenas no tamanho de seu PIB ou no volume de investimentos que consegue atrair. Está na capacidade de transformar riqueza em emprego, renda e esperança. É essa transformação que o Rio ainda precisa aprender a fazer melhor. Com a palavra, os candidatos e candidatas que se apresentarão nas urnas em outubro como futuros representantes da população fluminense.
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