Publicado 21/08/2026 06:34
Em ano de eleição, é natural que os candidatos olhem para os mapas e façam contas. Onde estão os eleitores? Quais cidades concentram mais votos? Onde vale a pena estar, fazer campanha, pedir apoio e apertar muitas mãos? A lógica eleitoral costuma seguir a geografia do voto. Mas existe uma outra geografia, menos lembrada nos palanques e talvez mais importante para o futuro do estado: a geografia da economia.
PublicidadeOs municípios não são apenas números nos mapas eleitorais. São territórios onde empresas investem, trabalhadores encontram empregos, impostos são arrecadados e cadeias produtivas se desenvolvem. E, quando se fala em integração regional, é preciso olhar também para essa força econômica que nasce nas cidades e, somada, movimenta o estado do Rio de Janeiro.
O Norte Fluminense e a Costa Doce oferecem um exemplo eloquente. As quatro principais economias da região — Campos dos Goytacazes, Macaé, Rio das Ostras e São João da Barra — arrecadaram juntas R$ 991 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) no primeiro semestre de 2026. O valor representa um crescimento nominal de 17,23% em relação ao mesmo período do ano passado.
Impulsionada pela presença do Porto do Açu e pela expansão das atividades associadas ao complexo portuário, São João da Barra registrou crescimento de 36,71% na arrecadação de ISS. Rio das Ostras, que há anos aposta na diversificação econômica por meio da Zona Especial de Negócios, avançou 29,54%. Campos, com uma economia fortemente apoiada no setor de serviços, apresentou crescimento de 19,25%. Macaé, consolidada como um dos principais polos brasileiros de petróleo e gás, aumentou sua arrecadação em 11,29%. No primeiro semestre, essas quatro cidades geraram, juntas, 7.830 empregos formais, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Quando observadas em conjunto, essas cidades formam uma engrenagem econômica com características complementares. Há serviços, indústria, logística, petróleo e gás, comércio, infraestrutura, tecnologia e uma extensa cadeia de fornecedores que ultrapassa as fronteiras administrativas de cada município. Formam, inclusive, o que muitos estatísticos já classificam como uma área metropolitana em formação.
O desenvolvimento de uma cidade, portanto, pode gerar oportunidades para as vizinhas. Porque a economia não conhece os limites desenhados nos mapas municipais. Por isso, em vez de pensar a integração regional apenas como uma expressão recorrente em discursos e documentos oficiais, é necessário transformá-la em uma estratégia econômica permanente. É preciso planejar estradas, qualificar trabalhadores, ampliar a infraestrutura, integrar serviços públicos, estimular fornecedores locais e criar condições para que os investimentos realizados em uma cidade irradiem seus efeitos para toda a região.
Em ano eleitoral, vale a pena olhar para o mapa de uma maneira diferente. Não apenas para descobrir onde estão os votos, mas para enxergar onde estão as oportunidades. Porque um Estado verdadeiramente integrado não é aquele em que suas regiões apenas aparecem juntas nos discursos. É aquele em que a riqueza produzida em cada município encontra caminhos para gerar desenvolvimento também nos municípios vizinhos. E o Norte Fluminense, pelos números do primeiro semestre, parece estar dizendo que existe uma força econômica regional esperando justamente por isso: conexão.
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