Pioneiro, o Restaurante Popular da Central do Brasil inspirou a criação de outras unidadesLuis Alvarenga - Governo do Estado
Publicado 25/09/2026 06:08
Imagine alguém chegando ao Centro do Rio de Janeiro no começo de uma manhã. Trabalha longe de casa, o dinheiro é contado e ainda falta muito para o fim do mês. Antes de pensar no almoço, precisa pensar no preço dele. Foi para gente assim que começou, no fim dos anos 1990, uma experiência que se transformaria em política pública de sucesso: os Restaurantes Populares.
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Em 1999, durante o governo de Anthony Garotinho, o primeiro Restaurante Popular foi instalado na Central do Brasil, a partir de uma iniciativa que também contou com a participação do bispo Dom Mauro Morelli. A ideia era simples e poderosa: oferecer uma refeição de qualidade por um preço que coubesse no bolso de quem mais precisava.
A experiência deu certo. E logo chegou a outras cidades fluminenses. Em Campos, por exemplo, o Restaurante do Povo atende cerca de 1.500 pessoas por dia, com três refeições. E quem se alimenta no local não precisa pagar nada por isso.
Passaram-se mais de 25 anos, e a história daquele primeiro prato continua sendo contada todos os dias. E os números ajudam a entender por quê. Segundo o IBGE, em 2024, 23,3% dos moradores do estado do Rio de Janeiro viviam em domicílios em situação de insegurança alimentar. Em palavras claras e diretas: quase uma em cada quatro pessoas não sabe ao certo se fará pelo menos três refeições num dia.
É aí que um Restaurante Popular faz a diferença. Uma refeição saudável e subsidiada pode representar algumas dezenas de reais economizadas no orçamento de uma família ao longo do mês. Para quem tem pouco, esse dinheiro pode significar transporte, remédio, material escolar ou outra refeição.
Em 2024, as 13 unidades então existentes no estado do Rio de Janeiro distribuíram mais de 6 milhões de cafés da manhã, almoços e jantares — cerca de 29 mil refeições por dia. Seis milhões de vezes alguém sentou para comer sabendo quanto iria pagar — e que teria condições de pagar. Seis milhões de vezes o prato de comida deixou de ser apenas uma questão individual e passou a ser também responsabilidade do poder público.
Há dignidade nisso. E infelizmente, numa eleição em que a segurança pública tomou conta dos discursos, as propostas de políticas públicas de combate à insegurança alimentar foram meio que deixadas de lado.
Combater a fome não é apenas entregar comida. É permitir que uma pessoa que ganha pouco ou vive em vulnerabilidade social atravesse o dia trabalhando, estudando ou procurando emprego sem carregar também a preocupação de onde virá a próxima refeição. Os restaurantes a preço subsidiado, ou de graça, são uma política de renda, saúde, cidadania e segurança alimentar.
O primeiro prato servido na Central do Brasil, em 1999, ficou para trás. Mas a pergunta que o colocou sobre a mesa continua atual: como garantir que ninguém precise escolher entre comer e pagar outra conta? Enquanto essa pergunta existir, um prato de comida a preço popular continuará sendo muito mais do que comida. Será uma política pública contando, todos os dias, uma história de dignidade.
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