Candidata a deputada no Rio tenta pechinchar cache de famosos para 'publi' e passa vergonha Foto: Reprodução
Publicado 16/07/2026 17:16
Se tem bastidor fervendo com pitadas de polêmica e estratégias digitais, este colunista conta tudo em primeira mão. Uma conhecida vereadora do Rio de Janeiro, que já articula sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, acabou enfrentando um constrangimento antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral.
A coluna Daniel Nascimento descobriu com exclusividade que a agência responsável pela comunicação da parlamentar iniciou uma verdadeira força-tarefa em busca de artistas e influenciadores digitais para impulsionar a imagem da política nas redes sociais. A ideia era firmar parcerias com publicações que transmitissem um ar de espontaneidade, o chamado orgânico. O problema? A proposta financeira não agradou nem um pouco e acabou virando piada nos bastidores.
Tivemos acesso exclusivo ao escopo enviado aos criadores de conteúdo. A oferta previa um contrato mensal de R$ 2.500, com duração de quatro meses a se iniciar a partir da próxima semana, em troca de uma série de entregas que muitos profissionais consideraram incompatíveis com o valor oferecido.
Entre as exigências estavam duas sequências de stories autorais por semana, um repost semanal de conteúdos relacionados à candidata e uma publicação semanal no feed, TikTok ou até participação em lives ao lado da vereadora. Todo o conteúdo ainda passaria pelo acompanhamento da agência, com roteiro, direcionamento de linguagem e aprovação prévia.
Um influenciador que preferiu não aceitar a proposta resumiu o sentimento de boa parte dos convidados: "Era muita exigência para um cachê muito abaixo do praticado no mercado", afirmou. Outro procurado pela equipe disparou à nossa reportagem: "R$ 2.500 para atrelar minha imagem à política, seguir roteiro engessado e ainda correr o risco de perder seguidores? Não paga nem a terapia depois de um possível cancelamento".
Mas o cachê considerado baixo não foi o único motivo para tantos influenciadores recusarem a proposta. Nos bastidores, o maior receio é outro.
A associação da imagem a uma figura política já costuma ser delicada para quem vive de engajamento nas redes. No caso da vereadora em questão, o temor seria ainda maior por causa do histórico de polêmicas envolvendo seus posicionamentos e debates acalorados, especialmente sobre pautas ligadas à comunidade LGBTQIAPN+. Por ser uma figura combativa, muitos criadores de conteúdo temem que o público reaja mal e que suas caixas de comentários virem um verdadeiro campo de guerra.
Vale lembrar que a legislação eleitoral estabelece limites para ações de divulgação durante o período de pré-campanha. Essa estratégia de camuflar publicidade paga como "apoio espontâneo" de pessoas relevantes nas redes sociais é andar na corda bamba. Vale o alerta de que a brincadeira pode configurar propaganda antecipada irregular, conforme o artigo 96 da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/97). A Justiça Eleitoral vigia de perto o que rola na pré-campanha, e simular engajamento orgânico com dinheiro por trás é receita certa para processo. Fica a dica!
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