Publicado 15/03/2026 00:00
A história de um gato encontrado em estado extremo de sofrimento, praticamente à beira da morte, acabou mobilizando milhares de pessoas nas redes sociais e se transformando em um poderoso exemplo do impacto que um gesto de empatia pode ter na vida de um animal abandonado.
PublicidadeHoje conhecido como Renatinho, o felino reúne quase 80 mil seguidores em uma página dedicada à sua recuperação e rotina. O que muitos acompanham atualmente, um gato mais saudável e cercado de cuidado e carinho, contrasta completamente com o cenário em que ele foi encontrado meses atrás.
Debilitado, desfigurado pela sarna e extremamente magro, Renatinho vagava pelas ruas em total vulnerabilidade e era ignorado pela maioria das pessoas que passavam por ele diariamente.
A história começou no final de outubro de 2025, quando o animal foi visto em um bairro periférico da cidade de Sobral, no interior do Ceará. Em estado crítico, com o corpo coberto por feridas e sinais claros de desnutrição severa, ele permanecia exposto ao abandono e às doenças, sem qualquer assistência.
Foi nesse contexto que o gato acabou cruzando o caminho da psicóloga e videomaker Renata Kerlane, que se sensibilizou ao perceber a gravidade da situação.
“Quando eu vi o estado dele, percebi que não dava para simplesmente ignorar. Ele estava muito debilitado, muito frágil. Eu comecei alimentando, mas logo ficou claro que ele precisava de ajuda veterinária urgente”, disse Renata Kerlane.
Após avaliação da veterinária, Iara Linhares, da Clínica Univet, os exames revelaram um diagnóstico alarmante, incluindo sarna em estágio avançado, desnutrição severa, anemia, desidratação, infecções múltiplas, plaquetas baixas, doença transmitida por carrapato e inflamação generalizada.
Diante da gravidade do caso, foi tomada a decisão de internar o animal imediatamente. Foi quando começou uma luta pela sobrevivência
Renatinho foi internado no dia primeiro de novembro, dando início a um tratamento intensivo que exigiu medicações rigorosas, exames frequentes e acompanhamento veterinário constante.
Durante cerca de um mês, o gato permaneceu hospitalizado
Os primeiros dias foram considerados os mais delicados. Devido ao estado debilitado, o risco de morte era real e cada pequena melhora representava uma vitória.
“Um dos momentos mais marcantes do tratamento ocorreu durante o primeiro banho terapêutico realizado na clínica veterinária. Na ocasião, quase 400 gramas de crostas provocadas pela sarna foram removidas do corpo do animal, lembrou.
Debaixo das crostas surgia um corpo extremamente frágil, com a pele sensível e diversas feridas, revelando a dimensão do sofrimento que o gato havia enfrentado nas ruas.
“Quando tiraram aquelas crostas todas foi muito emocionante. Ali deu para ver o quanto ele tinha sofrido nas ruas, mas também foi o momento em que a gente percebeu que ele tinha chance de se recuperar”, conta Renata.
Um novo começo
Após aproximadamente um mês de internação, Renatinho finalmente recebeu alta hospitalar no dia primeiro de dezembro.
Ele foi levado para a casa de Renata, onde passou a viver em um ambiente seguro, com alimentação adequada, acompanhamento veterinário e uma rotina de cuidados.
O gato, que inicialmente havia sido apelidado de Halloween por causa da aparência debilitada quando foi encontrado, acabou ganhando um novo nome escolhido pelos seguidores que acompanhavam sua recuperação.
Nascia então Renatinho, uma homenagem carinhosa à sua tutora e um símbolo do renascimento do animal.
Apesar da recuperação impressionante, ele ainda segue em acompanhamento veterinário. Durante o tratamento, foi diagnosticado com asma felina, condição que exige monitoramento contínuo e
cuidados específicos.
cuidados específicos.
De um resgate a uma rede de solidariedade
Enquanto Renatinho lutava para se recuperar, sua história começou a ganhar grande repercussão nas redes sociais.
Inicialmente, o perfil de Renata reunia cerca de 2 mil seguidores. Com a divulgação da história e a publicação de vídeos mostrando a evolução do gato, a página passou a crescer rapidamente.
Hoje, o perfil reúne quase 80 mil seguidores, formando uma comunidade engajada que acompanha diariamente a rotina de Renatinho e também outras ações de resgate.
Com o crescimento da página, a história do gato acabou se transformando também em uma ferramenta para ajudar outros animais em situação de abandono.
“A história do Renatinho acabou virando um símbolo de resistência. Hoje eu uso a página para mostrar outros casos de animais que precisam de ajuda. Quando aparece um gato ou um cachorro doente, que precisa de veterinário, eu mostro a situação e os seguidores ajudam a pagar o tratamento”, explica.
Segundo Renata, o problema do abandono é muito presente inclusive na rua onde mora, em Sobral.
Há muitos gatos vivendo na região e, muitas vezes, em situação de doença ou vulnerabilidade.
“Na rua onde eu moro tem muitos gatos. A gente tenta ajudar, mas a conta não fecha. Cada animal precisa de consulta, exame e medicação. Muitos cuidadores acabam ficando sobrecarregados financeiramente e emocionalmente. A ajuda e a união das pessoas foram incríveis no caso do Renatinho, mas é preciso maior apoio do governo. O abandono e doenças como a sarna também são uma questão de saúde pública, e essa responsabilidade não pode ficar apenas nas mãos de quem resgata. Isso também é responsabilidade dos governantes”, afirma.
Resgatar também exige responsabilidade
Renata destaca que resgatar um animal em situação de rua exige planejamento e responsabilidade.
Segundo ela, muitas pessoas acreditam que basta retirar o animal da rua e levá-lo para casa, mas a realidade costuma ser bem diferente.
“Um resgate custa caro. A gente não pode simplesmente pegar um gato ou um cachorro na rua e levar direto para casa, principalmente quando se trata de um caso de doença ou maus-tratos, como aconteceu com o Renatinho”, explica.
Ela lembra ainda que os gastos não se limitam apenas aos procedimentos veterinários.
“Cada animal que a gente resgata vira uma conta na clínica veterinária. E ainda tem os custos com medicamentos, alimentação e cuidados. Por isso a união das pessoas faz toda a diferença”, completa.
Repercussão nacional e silêncio na própria cidade
A história de Renatinho ganhou repercussão em todo o país, sendo compartilhada por páginas de proteção animal, influenciadores, sites de notícias e emissoras.
Apesar da grande visibilidade, Renata diz que se entristece com a falta de repercussão na própria cidade onde tudo aconteceu.
“O Brasil inteiro falou do Renatinho, mas em Sobral, onde ele foi resgatado, ninguém escreveu uma linha sequer”, afirma.
Segundo ela, o caso revela que ainda falta mais empatia em relação aos animais abandonados. “Eu só queria que aqui também houvesse mais consciência sobre o sofrimento desses animais que precisam de ajuda”, diz.
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