O golden retriever Boby se tornou cão terapeuta após superar câncerDivulgação
Publicado 10/05/2026 00:00
O uso de animais como co-terapeutas em processos clínicos vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. A Terapia Assistida por Animais, conhecida como TAA, tem se consolidado como uma abordagem que combina ciência, técnica e vínculo afetivo, promovendo avanços importantes no desenvolvimento humano, especialmente entre pessoas neurodivergentes.
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Ao contrário do que muita gente ainda imagina, não se trata apenas de um recurso emocional ou de uma prática informal. A presença do animal na terapia segue critérios técnicos, objetivos clínicos definidos e acompanhamento profissional. O animal passa a atuar como mediador dentro de um processo estruturado, contribuindo diretamente para o desenvolvimento do paciente.
Com mais de 14 anos de atuação, a especialista Thainara Morales Andretta desenvolve um trabalho que integra conhecimentos das neurociências, da análise do comportamento e de estratégias clínicas individualizadas. Sua prática envolve diferentes modalidades, como a equoterapia, intervenções com animais de companhia e também com animais silvestres legalizados, ampliando as possibilidades terapêuticas.
O foco principal está no desenvolvimento de habilidades sociais, na regulação emocional e na ampliação da comunicação. Entre os públicos atendidos, destacam-se pessoas com Transtorno do Espectro Autista, que frequentemente encontram nos animais uma forma mais acessível e menos invasiva de interação.
Segundo a especialista, o animal não substitui a intervenção clínica, mas potencializa o processo terapêutico quando inserido de forma estruturada e com objetivos bem definidos.
Um dos diferenciais da Terapia Assistida por Animais está na forma como o vínculo é utilizado dentro da prática clínica. O animal deixa de ser apenas um elemento lúdico e passa a exercer um papel funcional. Ele pode estimular contato visual, incentivar a comunicação, promover interação social e ajudar no desenvolvimento de rotinas.
Esse tipo de mediação costuma aumentar o engajamento do paciente. Crianças e adultos que apresentam resistência a abordagens tradicionais frequentemente demonstram maior abertura quando a interação envolve um animal. A ausência de julgamento por parte do animal contribui para reduzir barreiras emocionais e facilitar o processo terapêutico.
Além disso, a presença do animal pode favorecer a redução do estresse e da ansiedade, criando um ambiente mais propício ao aprendizado e à construção de novas habilidades.
Entre os casos que marcaram a trajetória da especialista está Boby, um golden retriever que se tornou símbolo de superação. Após ser diagnosticado com câncer e passar pela amputação de uma das patas, o cão não apenas sobreviveu como passou a atuar como terapeuta em atendimentos clínicos.
Sua história inspirou o livro “A Incrível Resiliência de Boby”, no qual Thainara relata a jornada do animal e o impacto positivo que ele teve na vida de diversos pacientes. Mesmo com limitações físicas, Boby demonstrava disposição, afeto e capacidade de conexão, elementos que se tornaram fundamentais dentro da terapia.
O animal superou o tempo de vida inicialmente estimado e passou a representar, dentro dos atendimentos, um exemplo concreto de resiliência e adaptação.
Outro projeto que surgiu da prática clínica foi o livro infantil “Nino Menino O papagaio que não sabia falar”. A obra aborda questões relacionadas à comunicação e ao desenvolvimento da linguagem, inspirada em intervenções com um papagaio em contexto terapêutico.
O livro dialoga com a Comunicação Alternativa e Aumentativa, abordagem que amplia as possibilidades de expressão para pessoas com dificuldades na fala. A proposta é mostrar que a comunicação vai muito além da linguagem verbal, valorizando diferentes formas de interação.
Quando aplicada com critérios técnicos, a Terapia Assistida por Animais apresenta benefícios observados tanto na prática clínica quanto em estudos da área. Entre os principais resultados estão a melhora na regulação emocional, a redução de comportamentos de estresse, o aumento das habilidades sociais e a ampliação do repertório comunicativo.
A explicação envolve fatores biológicos e comportamentais. A interação com animais pode estimular a liberação de substâncias associadas ao bem-estar, além de proporcionar experiências sensoriais e sociais que favorecem o aprendizado. Do ponto de vista comportamental, o animal funciona como um reforçador natural, tornando as atividades mais atrativas para o paciente.
Além do atendimento clínico, a atuação da especialista também inclui a formação de profissionais, supervisão de casos e desenvolvimento de projetos estruturados para diferentes contextos. A Terapia Assistida por Animais vem sendo levada para escolas, instituições e espaços terapêuticos, ampliando seu alcance.
O crescimento da TAA acompanha uma demanda cada vez maior por práticas mais humanizadas e integrativas na área da saúde. Ao unir ciência e vínculo afetivo, a abordagem se consolida como uma ferramenta importante no cuidado e no desenvolvimento humano.
Em um cenário em que a saúde emocional ganha protagonismo, a presença dos animais na terapia deixa de ser apenas um diferencial e passa a ocupar um lugar de destaque dentro das estratégias clínicas contemporâneas.
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