A consolidação do trabalho remoto no Brasil causou aumento da obesidade caninaDivulgação
Publicado 17/05/2026 00:00
A consolidação do trabalho remoto no Brasil alterou não apenas a rotina de milhões de pessoas, mas também a relação com seus animais de estimação. Em meio a mais tempo dentro de casa, veterinários observam um efeito colateral crescente nos consultórios: o aumento dos casos de obesidade canina.
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Se, por um lado, a presença constante dos tutores fortaleceu o vínculo com os pets, por outro, a redução de passeios, o sedentarismo dentro de casa e o aumento da oferta de petiscos contribuíram para mudanças significativas na saúde dos animais.
Segundo a médica veterinária Poliana D’arcenção, o home office reduziu a atividade física dos cães em muitos lares. “Com o trabalho remoto, muitos tutores passaram a sair menos de casa, reduzir os passeios e oferecer mais petiscos ao longo do dia”, explica. Para ela, a presença constante do tutor não garante, por si só, qualidade de vida ao animal.
A veterinária ressalta que a saúde do cão depende diretamente de uma rotina ativa, com caminhadas regulares e estímulos físicos e mentais. “Quando existe pouca atividade física e baixa estimulação, o resultado pode ser justamente o contrário do esperado”, afirma.
O problema, segundo especialistas, é que o ganho de peso costuma ser gradual e, muitas vezes, passa despercebido pelos tutores. A veterinária Raissa Stehling destaca sinais de alerta como dificuldade para sentir as costelas, perda da cintura, cansaço rápido e menor interesse por brincadeiras.
Embora ainda seja comum a percepção de que o “cachorro gordinho” é saudável ou apenas mais “fofo”, o excesso de peso pode trazer consequências graves. Entre elas estão diabetes, problemas respiratórios, dores articulares, doenças cardíacas e redução da expectativa de vida.
Outro fator apontado pelos especialistas é o uso frequente de comida como forma de afeto. Petiscos constantes e restos de alimentos humanos acabam se tornando parte da rotina, somados à falta de exercícios e estímulos.
Para reverter o cenário, veterinários recomendam não apenas controle alimentar, mas também mudanças no estilo de vida dos animais. Caminhadas mais longas, brincadeiras interativas, atividades de farejamento e brinquedos que estimulem o raciocínio são algumas das medidas indicadas.
“O home office pode ser positivo para os pets, desde que haja planejamento. A presença do tutor precisa vir acompanhada de uma rotina ativa”, reforça Poliana D’arcenção.
Especialistas concluem que o desafio atual não está apenas em reduzir a alimentação dos cães, mas em equilibrar afeto e saúde por meio de uma rotina que priorize movimento, estímulo e bem-estar físico e emocional.
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