O aumento da expectativa de vida dos pets tem sido acompanhado pelo crescimento dos casos de doenças crônicasFreepik
Publicado 14/06/2026 00:00
Cães e gatos estão vivendo mais, resultado dos avanços da medicina veterinária, da melhoria na alimentação e da maior conscientização dos tutores sobre os cuidados preventivos. Se, por um lado, a longevidade representa uma conquista, por outro, trouxe novos desafios para médicos-veterinários e famílias multiespécies.

O aumento da expectativa de vida dos pets tem sido acompanhado pelo crescimento dos casos de doenças crônicas, que exigem monitoramento frequente e tratamentos de longo prazo para garantir qualidade de vida aos animais idosos. Entre as condições mais frequentemente diagnosticadas estão artrose, displasia coxofemoral, hérnia de disco, diabetes e doença renal crônica.

A médica-veterinária Stephany Chicarino explica que, embora muitas dessas enfermidades estejam associadas ao envelhecimento, os primeiros sinais costumam surgir de forma silenciosa e podem passar despercebidos pelos tutores.

“Muitos pets vivem mais hoje em dia, e isso exige um olhar cada vez mais atento para doenças crônicas que impactam diretamente a qualidade de vida. O diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo são fundamentais para controlar a dor, preservar a mobilidade e garantir bem-estar ao animal ao longo do envelhecimento”, destaca.
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Na foto, a médica-veterinária Stephany Chicarino - Arquivo pessoal
Na foto, a médica-veterinária Stephany ChicarinoArquivo pessoal


Segundo a especialista, mudanças de comportamento, redução da disposição para brincadeiras e passeios, dificuldade para subir escadas ou levantar após períodos de descanso, perda de peso, aumento do consumo de água e alterações no apetite podem indicar que algo não está bem. No entanto, é comum que esses sinais sejam interpretados apenas como consequências naturais da idade avançada.

“Envelhecer não significa sentir dor. Muitos animais acabam convivendo por muito tempo com desconfortos que poderiam ser minimizados ou controlados se identificados precocemente”, alerta.

Entre as doenças ortopédicas mais comuns está a artrose, considerada uma das principais causas de dor crônica em cães idosos. Já a displasia coxofemoral, frequente em cães de médio e grande porte, compromete a articulação do quadril e pode afetar significativamente a mobilidade do animal.

As doenças neurológicas também têm despertado atenção crescente. A hérnia de disco, observada com maior frequência em raças predispostas, como Dachshund e Shih-tzu, pode causar dores intensas, alterações motoras e até perda dos movimentos em casos mais graves.

Além disso, as doenças renais seguem entre as principais causas de atendimento em animais idosos. A doença renal crônica apresenta evolução lenta e progressiva, sendo muitas vezes diagnosticada apenas em fases mais avançadas. Apesar de não ter cura, o tratamento adequado pode retardar sua progressão e proporcionar mais conforto ao paciente.

Nos últimos anos, a medicina veterinária ampliou as opções terapêuticas disponíveis para esses animais. Fisioterapia, acupuntura, laserterapia e suplementação nutricional são alguns dos recursos que auxiliam no controle da dor e na manutenção da mobilidade.

Para Stephany Chicarino, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para promover um envelhecimento saudável. Consultas periódicas, exames de rotina e atenção às mudanças comportamentais são fundamentais para identificar alterações precocemente.

“O objetivo não é apenas aumentar os anos de vida dos pets, mas garantir que eles envelheçam com dignidade, conforto e bem-estar”, conclui.
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