Publicado 28/06/2026 00:00
Aquela cena de oferecer um petisco sempre que o cachorro faz “cara de pidão” ou dividir um pedaço da comida durante as refeições pode parecer apenas uma demonstração de carinho. No entanto, esse hábito está entre os fatores que contribuem para o avanço da obesidade entre cães e gatos, considerada hoje uma das principais ameaças à saúde dos animais de estimação.
PublicidadeOs números chamam a atenção. Estudos mostram que entre 22% e 44% dos cães e entre 11,5% e 63% dos gatos apresentam excesso de peso. No Brasil, uma pesquisa realizada em São Paulo revelou que cerca de 40,5% dos cães estão acima do peso ideal — o equivalente a quatro em cada dez animais.
De acordo com a médica-veterinária Juliana Matias de Oliveira, da PLAMEV, um dos maiores obstáculos para combater o problema é que muitos tutores sequer percebem que o animal está obeso.
“Muitas vezes, o excesso de peso é interpretado como algo normal ou até bonito. Como o tutor convive diariamente com o pet, as mudanças acontecem de forma gradual e acabam passando despercebidas”, explica.
Muito além da aparência, a obesidade é uma doença que afeta diversos órgãos e sistemas do organismo. O excesso de gordura aumenta o risco de diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, problemas respiratórios e alterações nas articulações.
“O tecido adiposo produz substâncias inflamatórias que comprometem todo o organismo. Além disso, o peso extra sobrecarrega as articulações, dificulta a respiração e exige mais esforço do coração”, destaca a veterinária.
Alguns sinais podem indicar que o animal está acima do peso. Entre eles estão a dificuldade em sentir as costelas ao tocar o tórax, a perda da cintura quando o pet é observado de cima, o abdômen mais arredondado, além de cansaço excessivo durante passeios, menor disposição para brincar e redução da atividade física.
Segundo a especialista, o crescimento da obesidade acompanha mudanças no estilo de vida das famílias. A rotina mais sedentária, o excesso de petiscos e o hábito de associar comida ao carinho favorecem o ganho de peso.
Ela ressalta, no entanto, que existem outras formas de fortalecer o vínculo entre tutor e animal.
“Brincadeiras, passeios, enriquecimento ambiental e momentos de interação são maneiras de demonstrar carinho sem aumentar a ingestão calórica”, afirma.
Para quem gosta de oferecer agrados, a orientação é optar por pequenas porções de frutas, legumes e verduras permitidos para cães e gatos, sempre com acompanhamento veterinário.
A prevenção da obesidade passa por uma alimentação equilibrada, controle das porções, prática regular de exercícios, acompanhamento veterinário e ajustes nutricionais, especialmente após a castração.
“A obesidade reduz a qualidade e a expectativa de vida dos animais. Pequenas mudanças na rotina fazem uma grande diferença para que eles vivam mais e melhor”, conclui Juliana.
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