Baixas temperaturas provocam contração muscular, reduzem a circulação sanguínea nas extremidades e tornam o líquido sinovial mais espessoVinícius Ferraz/ Divulgação
Publicado 16/08/2026 00:00
Com a queda das temperaturas, muitos cães e gatos que convivem com doenças articulares passam a demonstrar mais dor e dificuldade para se movimentar. Levantar da caminha, subir no sofá, correr ou caminhar pequenas distâncias pode se tornar um desafio. O frio não significa que a doença tenha evoluído de forma repentina, mas favorece o aumento do desconforto.
Publicidade
As baixas temperaturas provocam contração muscular, reduzem a circulação sanguínea nas extremidades e tornam o líquido sinovial, responsável por lubrificar as articulações, mais espesso. O resultado é maior rigidez e movimentos mais dolorosos.
“As doenças articulares acometem a cartilagem das articulações e podem surgir naturalmente com o envelhecimento ou como consequência de problemas que provocam instabilidade articular, como luxações, fraturas e outras alterações ortopédicas”, explica o ortopedista e neurocirurgião veterinário Gustavo Bacchim da Silva, do Hospital Veterinário Taquaral (HVT Campinas).
Entre as doenças mais frequentes estão a osteoartrose, as luxações e a osteocondrite dissecante. A osteoartrose é degenerativa e progressiva, comprometendo a cartilagem e causando dor, inflamação e perda gradual da mobilidade.
“É uma enfermidade crônica que pode acometer cães de todos os portes. Fatores como excesso de peso, predisposição genética, alimentação inadequada e outras doenças podem acelerar sua evolução”, frisa o veterinário.
A osteocondrite dissecante é observada principalmente em cães jovens de raças grandes e gigantes, como Golden Retriever, Pastor Alemão, Doberman e Dogue Alemão. O crescimento acelerado associado ao manejo nutricional inadequado pode provocar alterações na cartilagem, inflamação e dor.
Sinais que merecem atenção
Nem sempre o tutor associa mudanças de comportamento a um problema articular. Muitos animais passam a evitar atividades que antes faziam normalmente, demonstrando apenas “preguiça” ou redução da disposição.
Segundo Gustavo, os principais sinais são:
dificuldade para levantar após permanecer deitado;
mancar ou apoiar menos um dos membros;
dificuldade para subir escadas ou pular em camas e sofás;
redução das brincadeiras e caminhadas;
rigidez ao iniciar os movimentos;
irritação provocada pela dor;
atrofia muscular em casos mais avançados.
“A claudicação costuma ficar mais evidente depois que o animal permanece algum tempo parado. Muitos tutores percebem que ele demora alguns minutos para voltar a caminhar normalmente”, explica.
Cuidados durante o inverno
Embora o frio não provoque as doenças articulares, ele contribui para o aumento da dor e da rigidez. No inverno, os animais tendem a ficar mais tempo deitados e menos ativos, o que pode intensificar o desconforto.
Para minimizar o problema, o veterinário orienta manter o pet aquecido e preservar uma rotina leve de exercícios.
“Caminhadas curtas ajudam a manter as articulações em movimento. Se houver piora importante da dor ou da dificuldade para caminhar, o ideal é procurar um médico veterinário para reavaliar o tratamento”.
Diagnóstico e tratamento
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controlar sua evolução e preservar a qualidade de vida do animal. O diagnóstico começa com exame físico e pode incluir radiografias, tomografia computadorizada e, em alguns casos, artroscopia.
O tratamento varia conforme a doença, o estágio da lesão, a idade e as condições gerais do paciente. Entre as opções estão medicamentos para controle da dor, suplementos articulares, infiltrações com ácido hialurônico, terapias com células tronco e medicamentos como a Librela, indicada para determinados casos de osteoartrose. Nos quadros mais graves, a cirurgia pode ser necessária.
“O controle da dor é um dos pilares do tratamento. Esses pacientes precisam ser acompanhados periodicamente para que possamos ajustar medicamentos e terapias de acordo com a resposta clínica. Cada animal evolui de uma maneira diferente”, ressalta Gustavo.
Atenção aos primeiros sinais
Manter o peso adequado, oferecer alimentação balanceada, estimular atividades físicas compatíveis com a idade e procurar atendimento veterinário aos primeiros sinais de dor ajudam a retardar a progressão dos problemas.
“Muitas vezes o tutor acredita que o animal está apenas envelhecendo e deixa de procurar ajuda. Hoje existem diversos recursos para aliviar a dor e proporcionar mais conforto. O mais importante é não esperar que a limitação se torne severa para iniciar o tratamento”, conclui Gustavo.
Leia mais