Priscilla e Ciro Rabelo se mudaram para uma casa e depois levaram Beni para o localArquivo pessoal
Publicado 23/08/2026 00:00
Dia 26 de agosto é o Dia Mundial do Cão. Para quem pensa em ter um cachorro pela primeira vez, a chegada do pet exige planejamento e alguns cuidados antes mesmo de ele entrar em casa. Definir os espaços de alimentação, descanso e necessidades, retirar objetos perigosos e organizar os primeiros cuidados de saúde são medidas importantes para garantir uma adaptação segura.

Antes de escolher o animal, a família deve avaliar tempo, espaço e custos. O cachorro precisa de atenção, atividade física, higiene, alimentação e acompanhamento veterinário. Quem passa muitas horas fora ou viaja com frequência pode precisar considerar serviços como creche ou hospedagem. O porte e o nível de energia do animal também devem ser compatíveis com o espaço e a rotina da família.

“É importante escolher um animal que seja compatível com o estilo de vida da família. Ter um cachorro envolve uma responsabilidade que vai acompanhar aquela casa por muitos anos”, explica a veterinária Beatriz Ferlin, do Hospital Veterinário Taquaral.

A experiência de Priscilla e Ciro Rabelo mostra a importância do planejamento. Depois de se mudarem para uma casa, decidiram ter um cachorro e, uma semana depois, levaram para casa Beni, um border collie de 45 dias. O casal buscava um cão que pudesse acompanhá-los em corridas, restaurantes, viagens e outras atividades.

Hoje, aos cinco meses, Beni está mais adaptado, mas o casal precisou contratar um adestrador. “Amamos o Beni e ele faz parte da família, mas os sustos do início foram gigantescos. Acredito que, se tivéssemos pesquisado mais e nos planejado melhor antes de trazê-lo para casa, muitos transtornos não teriam acontecido”, afirma Priscilla.

Filhote não é a única opção
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Apesar de ser a escolha mais comum, o filhote não é necessariamente a melhor opção para todas as famílias. Eles precisam de bastante tempo para brincar, gastar energia e aprender regras de convivência, o que pode ser difícil para algumas pessoas, como idosos.

Cães adultos também podem ser uma boa alternativa. Como suas características de comportamento já estão mais definidas, é possível saber melhor se são calmos ou ativos, se precisam de muita companhia e se conseguem se adaptar a apartamentos, por exemplo.

“São animais que já estão, de certa forma, prontos, e isso nem sempre é valorizado por quem procura um pet”, afirma a veterinária.

Antes da chegada, a casa deve ser preparada com comedouro, bebedouro, cama, cobertores e um local adequado para as necessidades. Brinquedos também são importantes, pois ajudam no enriquecimento ambiental e oferecem alternativas para brincar e explorar.

A segurança exige uma vistoria no ambiente. Fios elétricos, produtos de limpeza, medicamentos, plantas tóxicas, lixeiras e objetos pequenos devem ficar fora do alcance. Portões e telas são fundamentais para evitar fugas e acidentes, principalmente em apartamentos e casas com áreas altas.

A convivência com crianças deve ser supervisionada por um adulto e acontecer de forma tranquila. Se já houver outros animais na casa, a apresentação deve ser gradual, com atenção ao pet que já vivia no local e sem deixá-los sozinhos até que estejam adaptados.

Cuidados de saúde vêm logo no início

Uma das primeiras providências após a chegada do cachorro deve ser a consulta veterinária. O profissional poderá avaliar a saúde do animal e estabelecer o planejamento de vacinação, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos, exames e outros cuidados.

Nos filhotes, o protocolo inicial geralmente inclui três a quatro doses da vacina polivalente, como V8 ou V10, com intervalos de três a quatro semanas, além da vacina antirrábica. Para cães com mais de quatro meses, normalmente são indicadas duas a três doses da polivalente, com intervalo de 21 a 28 dias, e uma dose da antirrábica. O reforço das vacinas é anual.

“Não é recomendado atrasar as doses porque isso pode comprometer o esquema de imunização”, explica Beatriz. A liberação para passeios e contato com outros animais deve considerar a conclusão do protocolo básico, além da vermifugação e do controle de ectoparasitas. A microchipagem é opcional, mas pode ser uma importante forma de identificação.

Xixi no lugar certo exige paciência
Gaia e Zara - Divulgação/ Matheus Campos
Gaia e ZaraDivulgação/ Matheus Campos

Ensinar o filhote a fazer xixi e cocô no local correto pode levar tempo. O processo exige repetição, paciência e reforço positivo. Punições devem ser evitadas e, quando necessário, um profissional de comportamento pode auxiliar.

Morder móveis, objetos e fios também é comum durante o desenvolvimento. Na fase de troca de dentes, o desconforto pode aumentar a vontade de roer. Brinquedos e mordedores ajudam a direcionar esse comportamento.

Na alimentação, a ração deve ser escolhida de acordo com idade, porte, raça, estilo de vida e condições de saúde. Alguns cães precisam de dietas específicas.

Entre os alimentos que não devem ser oferecidos estão chocolate, cebola, alho, uvas, abacate, café, massas cruas com fermento, xilitol e ossos cozidos.

“Alguns dos problemas mais comuns acontecem por falta de informação. Dar alimentos inadequados, oferecer medicamentos por conta própria ou esperar demais para procurar atendimento são situações que podem ser evitadas”, alerta Beatriz.

Falta de apetite ou apatia persistentes, vômitos e diarreia constantes e secreções nasal ou ocular são sinais que merecem avaliação veterinária. O planejamento, a informação e o acompanhamento profissional são fundamentais para que a chegada do cachorro seja segura e para que a nova relação comece de forma saudável para toda a família.
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