Publicado 20/09/2025 00:00
Em tempos de dúvidas, inquietações e escolhas difíceis, é natural buscarmos respostas claras e rápidas. No entanto, a vida cristã nos ensina que o discernimento espiritual não é um simples método lógico ou uma fórmula mágica. Ele é um caminho que exige escuta, sensibilidade e, acima de tudo, oração.
PublicidadeA oração é, nesse sentido, uma ajuda indispensável para discernir os caminhos de Deus em nossa vida. Mais do que uma prática devocional, ela é um encontro profundo com o Senhor. É por meio dela que falamos com Deus com a simplicidade e a confiança de quem conversa com um amigo verdadeiro.
Mas atenção: rezar não é repetir fórmulas automaticamente. A verdadeira oração nasce do coração, é espontânea, sincera e cheia de afeto. É abrir-se diante do Senhor com tudo o que somos — alegrias, dúvidas, medos e esperanças. É ser transparente com Deus, como um amigo é com o outro.
O discernimento, por sua vez, não busca uma certeza matemática. A vida humana é complexa, marcada por sentimentos, afetos e realidades que não cabem em fórmulas fixas. O apóstolo Paulo reconhecia essa tensão interior ao dizer: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rm 7,19). Somos feitos de razão e emoção, de corpo e alma, e nossos desafios espirituais tocam profundamente o coração.
É por isso que o relacionamento com Deus precisa ser constante, íntimo, alimentado por uma oração verdadeira. Quando nos afastamos d’Ele, mesmo cercados de bens e oportunidades, algo em nós permanece insatisfeito. Há uma tristeza sutil que se instala, uma ausência que machuca.
Jesus, porém, jamais obriga ninguém a segui-lo. Ele propõe, convida, revela sua vontade com delicadeza, e nos deixa livres para responder. E essa liberdade é uma das maiores belezas da oração: ela nos permite escolher amá-lo, sem pressões, mas com total entrega. Mesmo quando nos distanciamos, Ele permanece à porta do nosso coração, esperando com paciência e amor.
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