Arte coluna Fé no Rio 28 fevereiro 2026.Arte Paulo Márcio
Publicado 28/02/2026 00:00
A Quaresma é o tempo favorável em que a Igreja nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da vida, para que a fé reencontre vigor e o coração não se perca nas distrações do cotidiano. É um caminho de retorno ao essencial, no qual redescobrimos o sentido mais profundo da nossa existência.
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O caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra de Deus e a acolhemos com docilidade. Há um vínculo profundo entre o dom da Palavra, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza em nós. Quando escutada com sinceridade, ela ilumina as sombras, orienta as escolhas e fortalece a esperança.
Em sua mensagem para a Quaresma, o Papa Leão XIV destacou a importância da escuta. Dar lugar à Palavra por meio da escuta atenta é o primeiro sinal de quem deseja entrar verdadeiramente em relação com Deus e com o próximo.
A escuta na liturgia educa também o nosso olhar sobre a realidade. Entre tantas vozes que atravessam a vida social, as Escrituras nos ajudam a reconhecer o clamor que nasce do sofrimento e da injustiça, para que não fique sem resposta. Quem aprende a escutar Deus torna-se mais sensível à dor do próximo.
A Quaresma é tempo também de escuta e de jejum. A abstinência, tradição antiga e sempre atual, educa os sentidos e revela do que realmente temos “fome”. Ajuda-nos a ordenar os apetites e a manter viva a sede de justiça, conduzindo-nos à oração e à responsabilidade concreta.
Entre as propostas apresentadas pelo Santo Padre para esse período, destaca-se uma forma de jejum urgente em nossos dias: a abstinência de palavras que machucam. Somos chamados a desarmar a linguagem, renunciando a ofensas, julgamentos apressados e mentiras, e a cultivar a gentileza na família, entre amigos, no trabalho e nas mídias sociais.
Se jejuarmos de palavras que dividem, escutarmos mais o outro e oferecermos palavras que edificam, o ódio dará lugar à esperança e à paz.
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