Arte coluna Padre Omar 28 março 2026Arte Paulo Márcio
Publicado 28/03/2026 00:00
No Domingo de Ramos contemplamos uma multidão que aclama Jesus durante a sua entrada em Jerusalém. O Messias atravessa as portas da Cidade Santa, abertas de par em par para acolher Aquele que, poucos dias depois, sairá por elas condenado, carregando o peso da cruz. Assim também nós seguimos Jesus: primeiro em uma procissão festiva e, logo em seguida, por um caminho doloroso, inaugurando a Semana Santa que nos prepara para celebrar a Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor.
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Os sofrimentos de Jesus foram muitos e, sempre que ouvimos o relato da Paixão, eles tocam as profundezas da nossa alma. Foram sofrimentos do corpo: as bofetadas, a flagelação, a coroa de espinhos e a tortura da cruz. Foram também sofrimentos da alma: a traição de Judas, as negações de Pedro, a zombaria dos guardas e o abandono dos discípulos. Contudo, no ápice da dor, restava a Jesus uma certeza inabalável: a proximidade do Pai.
É então que acontece o impensável. Antes de expirar, Ele clama: “Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?”. Estamos diante do sofrimento mais dilacerante, o sofrimento do espírito: na hora mais trágica, Jesus experimenta o sentimento do abandono por parte de Deus.
E por que foi tão longe? A resposta é uma só: por nós. Por cada um de nós. Esse abandono foi o preço que Ele pagou por mim e por você. Cristo se fez solidário ao nosso limite extremo para estar conosco até o fim, experimentando a desolação para que jamais fôssemos reféns dela.
Por isso, em nossas quedas, quando nos sentimos descartados, traídos ou perdidos, lembremo-nos de que Ele já esteve lá. Nos nossos "por ques" sem resposta, Ele está presente. É assim que o Senhor nos salva: habitando as nossas dores para nelas acender uma esperança que não decepciona. Mesmo na cruz, Jesus não cede ao desespero; Ele reza e se entrega com confiança nas mãos do Pai.
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