Arte coluna Padre Omar 18 abril 2026Arte Paulo Márcio
Publicado 18/04/2026 00:00
Quantas vezes nos vemos diante de situações em que tudo parece incerto? Momentos em que não temos garantias, respostas ou controle e, ainda assim, precisamos seguir em frente. É justamente nesses espaços de dúvida e fragilidade que precisamos ter fé.
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A fé é, antes de tudo, um dom de Deus. É ela que sustenta a nossa relação com o Senhor e nos permite enxergar para além do que é visível. Ela faz parte das três virtudes teologais, junto com a esperança e a caridade. Sem essas virtudes, poderíamos até ser justos, fortes e temperantes, mas nos faltariam olhos capazes de ver na escuridão, um coração que ama mesmo quando não é amado e uma esperança que ousa permanecer firme diante do desespero.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que a fé é o ato pelo qual o ser humano se abandona livremente a Deus. Nesse caminho, Abraão se torna o grande modelo: aceitou deixar a terra de seus antepassados para partir rumo à terra que Deus lhe teria indicado. Aos olhos humanos, poderia parecer loucura deixar o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo incerto; mas Abraão se põe a caminho como quem vê o invisível.
Assim também agiu a Virgem Maria. Ao receber o anúncio do anjo, que muitos poderiam considerar exigente e arriscado, ela responde com o seu “sim”. Com o coração repleto de confiança em Deus, Maria põe-se a caminho por uma estrada da qual não conhece nem o trajeto nem os perigos.
A fé, portanto, não é apenas adesão a ideias ou a uma tradição cultural. Ser cristão não significa simplesmente acolher valores, mas viver uma relação viva com Deus. A fé é o início desse vínculo, o primeiro dom recebido, aquele que dá sentido a toda a caminhada.
À primeira vista, pode parecer um dom pequeno, quase discreto. No entanto, é essencial. É a chama que precisa ser alimentada, pedida e renovada todos os dias, para que nos conduza, com confiança, mesmo nas noites mais escuras.
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