Gastão Reis, colunista de O DIA divulgação
Publicado 05/11/2022 05:00
A antiga Iugoslávia ficará para a História como uma experiência a ser evitada. Existiu como país por cerca de um século e depois se desagregou em meia dúzia de nações. O que teria acontecido? Como o Lula e o PT entram na história? E qual seria a lição para o Brasil? É o que veremos a seguir.
O que, afinal, deu errado com a Iugoslávia, país onde os operários eram donos das fábricas, um tipo de socialismo diferente do capitalismo de Estado imposto por Stálin a seus países satélites. Em linhas gerais, tem a ver como sistema de incentivos estabelecido pelas novas regras. Sistematicamente, os trabalhadores, agora donos, passaram a se dar generosos aumentos salariais, esquecendo a imperiosa necessidade de investir nas empresas para obter ganhos de produtividade e de competitividade. Virou exportador de mão-de-obra sem maiores ganhos no salário real a despeito dos aumentos nominais.
O paradoxo é que os novos donos das fábricas passaram a agir contra seus próprios interesses de longo prazo. Quem estava certo era o “amaldiçoado” empresário capitalista, cujos lucros eram reinvestidos, gerando novos empregos e ganhos reais de salários ao longo do tempo, como aconteceu nas economias capitalistas clássicas.
A Iugoslávia caiu no que poderíamos chamar de armadilha de consumir sem investir. E lembra bastante bem o que vem acontecendo com países controlados pelas esquerdas latino-americanas nas últimas décadas. No caso brasileiro, durante dez anos, a Receita Federal bateu recordes de arrecadação de 10% ao ano, em termos reais, enquanto o PIB crescia a passo de cágado. A carga tributária, encostando em 40% do PIB, reduziu em muito o investimento do setor privado sem que o governo contrabalançasse a insanidade aumentando a sua taxa de investimento, na época, inferior a 2% ao ano.
Esgotada a herança bendita de FHC e as condições excepcionalmente favoráveis do mercado internacional até 2008, começou a faltar pinga para a festa continuar a pleno vapor. A conta, sentida na pele pela população, foi bater no supermercado com aumentos expressivos nos preços dos gêneros alimentícios, nos serviços, nos combustíveis e na energia elétrica.
As medidas pontuais adotadas para reativar a Economia começaram a fazer água, pois faltavam investimentos que deveriam ter sido feitos na década de 2010 em infraestrutura e em outros setores estratégicos. O corte de gastos para tornar o Estado mais eficiente e a ampliação das privatizações foram retardados durante anos por puro preconceito ideológico.
Pouco ou nada ensinou ao PT o tempo perdido pela ex-URSS e pela China em seguir, por tempo demasiado, a ingerência do Estado no cerceamento das liberdades individuais, que são fontes de criatividade, de geração de inovações e de conhecimentos capazes de melhorar a vida de todos.
O Brasil não é a Iugoslávia, mas, dados os precedentes históricos, nossa marcha da insensatez nos levou a colecionar décadas perdidas e tem jeito de que vai ser acionada mais uma por Lula. E com pleno conhecimento de causa perdida. Até quando?
Gastão Reis é economista e escritor - e-mails:gastaoreis@smart30.com.br// ou gastaoreis2@gmail.com
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