Gastão Reis, colunista de O DIA divulgação
Publicado 13/01/2024 00:00
Os descaminhos da História continuam a dar o ar de sua (des)graça. No momento, temos duas guerras a pleno vapor, a da Ucrânia e a da Faixa de Gaza. Ambas de caráter bélico explícito, que, mais cedo ou mais tarde, acabam chegando ao final. Entretanto, existe um outro tipo de guerra, de longa duração, bem mais
complicada. São as de cunho ideológico em que os países se metem, e que lhes trazem custos astronômicos ao longo de décadas.
No caso da antiga União Soviética, foram precisos 70 anos para ela se dar conta de que o planejamento centralizado não funcionava. E que a guerra contra o mercado é perda de tempo a curto e longo prazos. No período mais negro do stalinismo, cerca de 40% da economia russa ainda era tocada pelo setor privado. A Argentina, após mais de sete décadas de peronismo desvairado, parece estar acordando.
Os exemplos acima, dentre outros, apostam na luta de classes como motor (enguiçado, é claro!) da História. Adriano, imperador romano, já tinha observado como as guerras emperravam as transações comerciais e a criação de riqueza. A Pax Romana, mesmo com seus altos e baixos, foi o lado prático da sabedoria romana. E teve papel relevante na duração de cerca de mil anos do Império Romano do Ocidente. O Reich dos Mil Anos de Hitler se esfumaçou em menos de oito anos, em boa medida, pelo grau de truculência das tropas nazistas, que despertava o ódio e guerrilhas nos povos escravizados.
Entre articulistas e comentaristas da grande mídia, impressa e televisionada, começam a surgir os sensíveis ao respeito devido às aspirações conservadoras e liberais da maioria da sociedade brasileira. Carlos Alberto Di Franco, em artigo publicado em 08/01/2024, cujo título "Diálogo ou a sombra da ruptura" diz a que veio.
As análises que lemos ou ouvimos não são levadas a sério nas diferentes classes sociais. Provavelmente, 2/3 ou mais da população se sentem desrespeitados pelas decisões monocráticas e absurdas do STF.
"Estão rindo na nossa cara" é uma expressão muito comum na hora do cafezinho, quando temos a oportunidade de trocar ideias com quem está ao nosso lado sobre a atual (des)conjuntura política e jurídica do Patropi. Essa ampla desconexão entre o andar de cima e a população em geral vem crescendo. É a sombra da ruptura de que nos fala Di Franco. Todo povo tem limite para levar desaforo para casa. A hora do
basta sempre chega.
Ver a luta de classes no capitalismo como algo normal é um equívoco fatal. É visível, nas economias capitalistas, aquelas que sabem estabelecer uma colaboração inteligente entre classes sociais e aquelas que não conseguem. Os resultados de longo prazo são visíveis: crescimento e bem-estar social nas que interagem positivamente e paralisia ou crescimento pífio nas que apostam no conflito.
O ministro Barroso em solenidade no Congresso, em 8.1.2024, produziu a seguinte pérola: "Ódio, mentiras e golpismo nunca mais". Em psicologia, é um caso típico de projeção: mecanismo de atribuir aos outros o que somos. É também uma outra manifestação do motor enguiçado da História. Que pobreza!

Nota: Digite no Google "Dois Minutos com Gastão Reis: A cooperativa e o mercado". Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=St8uXye-1fs.

Gastão Reis
Economista e palestrante
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