Publicado 20/06/2026 00:00
A junção destas duas figuras se justifica por serem irmãos univitelinos no plano político-institucional. A peculiaridade, no caso, é que um não vive sem o outro. É uma irmandade que vem de muito tempo atrás com as seguidas nomeações de ministros do STF por Lula e Dilma. Atualmente, mais da metade do referido tribunal teve o dedo dele ou dela para ocupar a egrégia posição, hoje para lá de duvidosa, de uma instituição que outrora ostentava status de respeitabilidade junto à opinião pública nacional.
PublicidadePara irmos à raiz dessa estratégia de ocupação do poder, é fácil perceber ali as digitais de Antonio Gramsci, o filósofo marxista italiano, que traçou uma rota alternativa à de Marx para a tomada do poder. Nada de revoluções barulhentas e sangrentas para se chegar lá. A proposta era agir na moita sem que as pessoas pudessem perceber o que estava acontecendo. No Brasil, a coisa funcionou na linha fácil de roubar pirulito de criança.
A proposta era se infiltrar nas instituições como sindicatos, igrejas, órgãos públicos, ensino básico, universidades, meios de comunicação para inocular uma estranha espécie de marxismo indolor. Claro que dura até o dia em que a vanguarda do dito proletariado começa a mostrar suas garras. Em outras palavras, a luta de classes velha de guerra. Os militares, por exemplo, não se deram conta a tempo da magnitude do efeito Gramsci na terra brasilis.
Aqui nos trópicos, foi “o nós contra eles” tão caro a Lula e sua esperteza marota, que inclui muita corrupção, mentiras a dar com pau e, no fundo, desrespeito ao povo brasileiro. Agora, na compra descarada de votos através de inúmeras benesses que ele supostamente concede. Na verdade, quem paga a conta é o nosso dinheiro dos impostos, cujo impacto inflacionário já estamos sentindo no bolso. É a inflação que atinge, sem dó nem piedade, os gêneros de primeira necessidade. Pior: o encolhimento nas quantidades de todos os produtos em que a inflação fica escondida, mesmo mantendo os mesmos preços. Afinal, se a quantidade cai em 10%, o preço na verdade subiu outro tanto.
O Brasil vive hoje um clima de falência institucional em que os poderes, a contragosto, acabaram mostrando sua cara de grossa corrupção em todos os níveis de goveno no episódio do Banco Master. O ‘capo di tutti i capi’ (o ‘chefe de todos os chefes’), era o mafioso Daniel Vorcaro. Ele corrompeu todas as esferas de poder, inclusive a mais alta corte brasileira, o STF. O ‘contratinho’ mais que suspeito de 129 milhões de reais com o escritório da mulher de Alexandre de Moraes é mais que revelador. É comprometedor. Moraes passou a ser, segundo colunista famoso na mídia nacional, funcionário de Vorcaro. Aquela conhecida troca de zaps entre os dois diz tudo.
A desmoralização do STF já é conhecida até no exterior. Juízes italianos denunciaram que é inaceitável um processo em que o ofendido vira juiz e emite sentença, como foi o caso do ministro Alexandre de Moraes. É óbvio que os demais juízes europeus compartilham da mesma visão sobre Moraes e o STF, dado o estreito relacionamento existente entre eles na comunidade europeia. A desmoralização levou de roldão a própria corte, dada a conivência da maioria dos ministros com as decisões monocráticas absurdas e inconstitucionais de Moraes.
A grande mídia, curiosamente, não põe em relevo a responsabilidade do STF na viabilização do terceiro mandato presidencial de Lula. Ninguém precisa ter a argúcia de um Sherlock Holmes, o famoso detetive inglês, para desvendar a trama. O STF simplesmente invalidou as acusações contra Lula baseado no fato de que o foro teria que ser em Brasília e não em Curitiba. E foi assim que abriram espaço para sua candidatura a presidente. Os desmandos nas estatais, todas no vermelho; no INSS, com descontos não autorizados nos valores das aposentadorias; a gastança sem limites de recursos públicos, que já faz sentir na inflação de gêneros básicos, tudo isso tem as digitais do STF.
Cabe registrar ainda o comportamento vexatório do congresso e do judiciário em geral, onde a corrupção dá as cartas. O clima é de vale tudo em que a indignação geral da população aflora nos grupos de cafezinhos tomados diariamente no Patropi. Coexiste uma situação generalizada de impotência do eleitor diante dos políticos e dos partidos. É comum a triste conclusão de que o país não tem mais jeito. Será? A conjuntura política e econômica da China logo após a Segunda Guerra Mundial era a de um país entregue a seus algozes. Décadas depois, a China se tornou o que é hoje com disposição para se tornar uma potência planetária, se é que já não é.
O Brasil é um caso diferente. Situações-limite como a nossa podem levar a mudanças promissoras. Algumas delas já se fazem sentir como a disposição do eleitorado em dar uma virada à direita conservadora. Câmara e Senado deverão refletir essa mudança. O Executivo federal ainda é uma incógnita, dada a possibilidade de reeleição de Lula, mas uma coisa é certa: se a vida dele foi difícil com o atual congresso, ela será muito mais dura ainda num Congresso de direita. Correrá até mesmo a possibilidade de um impeachment.
A luz no fundo do túnel é o segundo turno. Lula com rejeição encostando em 50% tem poucas chances de se sair vencedor. E o quadro desfavorável tende a se agravar. Lula, nas eleições de 2022, perdeu para Bolsonaro nas quatro grandes regiões geográficas do país. Só venceu no Nordeste. A última pesquisa da Genial/Quaest mostra que a rejeição a Lula no Nordeste subiu 9 pontos percentuais para 46%, tendendo a piorar.
Esta virada um tanto tardia não deixa de refletir a disposição do eleitorado em desfazer a trama STF-Lula que o levou ao poder nas últimas eleições, em 2022. É também um retrato da maturidade do(a) eleitor(a) brasileiro(a) que se deu conta do que Lula representa: corrupção, bandidagem e mentiras. É a combinação perfeita para um país dar errado. A História deste tripé está retratada no caso de muitos países que perderam o rumo.
Não há como a História absolvê-los. Ela não é cega.
Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Democracia de Grupelho”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=FhGMvFArd68
E-mail: gastaoreis2@gmail.com
Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Democracia de Grupelho”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=FhGMvFArd68
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Gastão Reis é economista e palestrante
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