Publicado 05/07/2025 00:00
Novidades são inevitáveis, até mesmo aguardadas, mas essa veio do céu. E aconteceu um dia desses, ainda parcialmente ensolarado. Num céu de brigadeiro (não o doce). Eu tinha acabado de varrer o quintal e colocava no cesto para descartar as folhas secas caídas do último vendaval. A patroa e o amigo Ibiapina separavam as carnes que seriam postas no braseiro, enquanto o Júlio cuidava de colocar as garrafas de cerveja para gelar. De repente os ruídos de varrição, vidros batendo, estalos do braseiro e até mesmo do canto dos pássaros silenciaram diante daquele barulho diferente.
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O som de um motor no ar. E lá estava ele, aquele objeto voador não identificado, mas bisbilhoteiro... Antes que o amigo pense que é assunto velho, que esses objetos voadores não são mais novidade e que andam por toda parte, inclusive, disputando guerras por aí, é importante lembrar que desse lado de cá de Água Santa o que voa é avião e passarinho. Nem super-homem tem por aqui.
Sim, posso dizer que no dia 4 de julho de 2025 avistamos o primeiro drone no céu do Principado de Água Santa. E ele baixou bem pertinho da churrasqueira... depois de um certo tempo, fez uma rotação de 360 graus e subiu novamente, seguindo para boreste.
Não demorou nem dez minutos, e eis que Fred, que andava sumido, apareceu. A suspeita foi imediata: teria sido aquele OVNI quem informou o amigo suíço que o churrasco já estava para começar? E mais: por que veio de carro se mora tão perto?
Sob os olhares curiosos dos amigos, pediu que eu abrisse a porteira e entrou de carro e bagageiro no quintal. Misterioso, retirou um volume do porta-malas e iniciou um trabalho com atenção. Demorou poucos minutos. Logo escutamos novamente aquele barulho diferente.
E, a curiosidade acabou aí, claro. O suíço provou mais uma vez o seu lado inventor: o barulho era produzido por um pequeno motor que movimentava duas hélices. Ora viva, o amigo montou um drone made in Água Santa! Fenomenal. Tem até câmera de vídeo.
Aplausos, gritos, palmas...
E começaram as perguntas. Como? Pra quê? Autonomia? Fred não respondeu. Tava fazendo manobras, desviando das árvores e tentando o pouso suave.
— Fred é o nosso professor Pardal — comemorou Nelson.
Adilsinho, tranquilo, deu sua opinião: — Bom para marcar lugar nas filas de bancos no início do mês.
Fred explicou o inventou:
— Quero ver se o drone suporta o peso das compras do mercado — E foi mais além: — A nave tem baterias que mantêm os voos por quase uma hora.
Não me contive: — E mostra, em tempo real, as visitas indesejáveis.
Nelson: — Como vai batizar a coisa?
Fred: — O Santo.
Julio: — Que tal, 008?
Ih, melhor fazer votação.
— Nada como Democracia — opinou Ibiapina.
Então, foi marcado o dia da eleição. E combinado que até lá o drone será chamado de Intruso do Bem.
Vamos aguardar o próximo encontro, ou comes e bebes. Não vale voto nulo ou em branco. Cervejas serão liberadas após a apuração.
Ah, e o drone não fará campanha eleitoral. Fred ficou de tentar inventar mecanismo que encontre e apague os golpes via Internet.
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