Publicado 14/02/2026 00:00
As constantes quedas de luz, comuns do verão, ganham um significado ainda maior nos tempos de hoje, em que faz mais calor e a vida é digital. Os jovens leitores talvez nem saibam, mas viemos de um mundo analógico, quando era possível ouvir o ruído “tic-tac” saindo dos nossos relógios, fossem eles de pulso, ou algibeira. Bastava dar corda pra engenhoca funcionar. Nessa semana, como em outras, a chuva e a ventania derrubaram a energia na casa de amigos. Alguns não puderam trabalhar em seus computadores. Os mais desprevenidos, com pouca carga no celular, ficaram até mesmo sem ter como reclamar com a companhia de energia. É, como diz o amigo Ronaldo. Num tempo cibernético, quando a energia cai, é como se a vida tivesse sido tirada da tomada. Como religar?
PublicidadeFoi esse o assunto do último encontro do Conselho de Veteranos aqui do Principado de Água Santa.
Repórter da velha guarda, guardo em casa uma máquina de escrever analógica. Já ouviram falar? Ela faz um ruído, tlac (diferente do barulho do relógio), toda vez que aciono uma tecla que bate numa fita carbono, reproduzindo a letra no papel ofício. A fita da minha, é bicolor, vermelha e preta. Coisa moderna lá nos anos 50. Olhando atentamente pra ela, Fred, o suíço, teve a ideia:
- Que tal se adaptássemos essa velha máquina de escrever ao Zap?
- Que tal se adaptássemos essa velha máquina de escrever ao Zap?
O amigo é o rei das engenhocas mecânicas. E está sempre inventando algo pra fazer para preencher o tempo quase ocioso. Madeira, aço, ferro, o suíço faz de tudo. Também limpa o quintal, prepara pratos especiais da terra distante. Os amigos ficam esperando o convite para a degustação. É o próprio Professor Pardal! Conhece mais da metade do mundo. A vida de um embarcado na Marinha Mercante da Alemanha. Sempre que apontava perto da Suíça, visitava a família na terra natal. Lembro que me contou sobre Argau, onde nasceu.
Era adepto das motocicletas, mas, com a idade avançando, vendeu a que tinha e ficou com o antigo Fiat que comprou novinho. O carro está na garagem coberta. Pouco sai com o veículo. O cara fez uma cozinha moderna no galpão nos fundos da casa. O jardim, bem cuidado, tem uma engenhoca que rega o pequeno jardim com esguichos que brotam da única árvore. Só vendo para crer.
Vez por outra sai de casa, de carro ou caminhando. Ele ainda encontra tempo e disposição para ir ao mercado. E adora o sábado, quando sai para lazer ou a churrascada aqui na caverna. Um ano mais novo que eu, nasceu no mesmo mês. Tá resolvido: nesse agosto de 2026 vamos fazer uma reunião comemorando os dois aniversários.
Um inventor por natureza, de qualquer maneira, o amigo, como nós, também é analógico. Se fosse um jovem de hoje, com certeza, engrossaria o time dos inventores de robótica. E como eles, também sofreria com as intempéries da energia elétrica.
Epa! Ouço novas trovoadas... e aqui no celular recebo mais uma mensagem. Da companhia elétrica: Com a chuva forte se aproximando do Rio de Janeiro, há risco de queda de energia em várias regiões... Saudades dos tempos do lampião e das engenhocas à manivelas!
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