Publicado 21/02/2026 00:00
Os velhos de Água Santa se fantasiaram de velhos pra dar uma volta nas praias e no Sambódromo. Todos travestidos de velhos. Não estamos atrasados pra festa, se é o que o amigo leitor está imaginando. Apenas estávamos esperando o calor amainar e, afinal, ainda tem festa por aí: só nesse domingo, são mais de 20 blocos espalhados pela cidade. Ou seja, o Carnaval só acabou ao meio-dia de quarta-feira de cinzas para os foliões de pouca fé na bagunça. Ou pra quem enfrenta o batente, claro.
PublicidadeA decisão de pegar uma carona tardia nessa festa profana veio logo depois da reunião semanal, da sexta-feira que começou bem cedinho. A pauta, aliás, era bem árida: o tema principal era o pagamento dos boletos. Mas nem mesmo o tira-gosto - um café bem passado e uma fornada de torradas com manteiga da roça - deu jeito. O assunto trouxe desânimo. E pra levantar a moral dos amigos, Nelson lançou o desafio.
- E se saíssemos em bloco pra aproveitar um pouco da festa?
Mas a decisão repentina nos pegou despreparados. Como arranjar fantasias em cima da hora. Lembrei do amigo Ronaldo, que certa vez, interpelado por um jovem numa fila de adolescentes todos vestidos a rigor pra uma festa de dia das Bruxas na Região Serrana, respondeu:
- Minha fantasia? Estou fantasiado de idoso!
- Minha fantasia? Estou fantasiado de idoso!
E o moleque ainda respondeu:
- Maneiro!
- Maneiro!
Sendo assim, como a fantasia de velho, de certa forma, já estávamos até mesmo vestidos, aprovamos a ideia e partimos pra folia.
Não foi tão rápido como em tempos passados. A ideia inicial era o Sambódromo, mas descartamos: essa festa está além dos nossos escassos orçamentos.
Saudades do tempo em que os desfiles das escolas de samba eram na Presidente Vargas. O desfile era de graça e tinha também os camarotes. Eram, na verdade, as janelas das centenas de escritórios, que ficavam abarrotadas de funcionários, amigos de funcionários, famílias de funcionários e até mesmo os vizinhos. Os bares funcionavam normalmente. E na época o Carnaval era bem mais em conta. Não havia o ágio da folia que hoje deixa a cerveja custando dez vezes mais.
Foi quando o vizinho de boreste, que anda meio esquecido, sugeriu que fôssemos para o Chave de Ouro:
- Vamos pra lá, sempre foi, desde o tempo que Dodô jogava no Andaraí, o último bloco a desfilar. E fica aqui pertinho. No Engenho de Dentro.
- Vamos pra lá, sempre foi, desde o tempo que Dodô jogava no Andaraí, o último bloco a desfilar. E fica aqui pertinho. No Engenho de Dentro.
Tivemos que explicar que o Chave era o último quando o Carnaval terminava na quarta... Ou seja, esse já desfilou.
Foi quando Ibiapina deu a ideia de a gente descer de trem. Em algum momento, com certeza, acabaríamos encontrando com um bloco.
Não demorou muito. Já encontramos a estação lotada de foliões. Fantasia pra todos os gostos: pirata, presidiário, gatas e gatunos, banhistas do passado...
No Centro havia mais gente do que no Comício das Diretas. Assustado, Júlio, perguntou:
- Mas ninguém trabalha mais na sexta-feira?
- Mas ninguém trabalha mais na sexta-feira?
Quem mora aqui sabe disso. Tem calendário pra todos os gostos. Tem o Chinês, o Judaico, o Islâmico, o solar... E tem o calendário carioca, que só começa depois do carnaval. Nesse ano, tá combinado. A gente pega no batente a partir de segunda-feira! Bom final de festa para todos!!! Só não se esqueçam de retirar a purpurina!
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