Publicado 30/05/2026 00:00
Eu varria o quintal para recolher as folhas que caíram com o último pé de vento forte chacoalhou os galhos aqui da caverna, quando ouvi no rádio que na semana que tem início o Sesc Arraiá, com festas pela cidade e em outros 12 municípios do estado. E, de repente, percebi. Estamos chegando no meio do ano. Guardei a vassoura com uma pressa inesperada e acionei o Conselho. Afinal, temos que nos preparar para a temporada.
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Duas horas depois, quase todos os veteranos titulares do Principado de Água Santa, estavam reunidos ao redor da mesa do coreto, enquanto a patroa servia um bom bule de café e uma fornada de pães de queijo para forrar a conversa.
E Fernando, que entende de leis e de história, lembrou que essa é uma das nossas tradições mais antigas, que chegou ao Brasil ainda no século XVI, com nossos colonizadores portugueses.
— Essas festividades juninas têm raízes nas celebrações pagãs, associadas ao solstício de verão no hemisfério norte, para comemorar a chegada do período de maior luminosidade do ano, onde o solstício ocorre no final de junho. Os portugueses trouxeram para cá a tradição que aqui se fundiu com as culturas indígenas e africana. Como a Igreja não conseguia acabar com sua popularidade, passou a atribuir as festas juninas aos santos populares, principalmente a São João Batista, São Pedro e Santo Antônio.
— Muito interessante — interveio Nelson, se oferecendo como relator do ponto mais esperado da reunião: a escolha do menu da festa. Afinal, festas juninas ou julinas que se prestem capricham na gastronomia:
— O milho, milho é elemento essencial — defendeu, para depois enumerar:
— Temos bolo de milho, a canjica, a pamonha, o curau, a pipoca, o milho verde cozido
Júlio, que como eu, gosta mais de churrasco, lembrou dos espetinhos de carne, salsichão e linguiça, que atraem multidões ao redor do braseiro.
Ibiapina lembrou de outra importante tradição: o quentão,
— Vamos fazer o tradicional, com cachaça, água, açúcar, rodelas de laranja, cravos-da-índia e pau de canela; e o com vinho tinto, que leva limão no lugar da laranja.
Eu rapidamente me ofereci para escolher a trilha sonora da festa. Sim, ´porque a música é essencial. E nesse gramofone da caverna não vai faltar "Festa na Roça" de Palmeira e Mario Zan; "Olha Pro Céu" do Gonzagão e José Fernandes; "Asa Branca", também do Gonzagão e Humberto Teixeira e a tradicional cantiga "Pula a Fogueira", que Getúlio Marinho e João Bastos Filho , que ficou conhecida na voz de Francisco Alves.
Com tudo combinado, nada melhor do que voltar para os preparativos da churrascada de hoje. E sem perder mais tempo, é claro. Afinal, passando do café, qualquer hora é hora para aquela carne na brasa.
E dessa vez a carne foi temperada com vinho tinto.
O que ficou pendente foi a campanha de “não soltem balões” desse ano.
Nada melhor do que lembrar sempre a todos que balões são indesejáveis. Em cada casa da turma daqui haverá cartazes pedindo para que a população não solte balões. Nem balões, nem fogos de artifício, ainda mais os barulhentos, que estressam humanos e os bichos. Vamos fazer de tudo para que o povo brinque o Arraiá, sem balões ou fogos barulhentos. A natureza e nós todos aqui agradecemos!
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