Publicado 13/06/2026 00:00
Não é difícil adivinhar o que a maioria de nós fará na noite de hoje..., mas, até a hora da seleção brasileira entrar em campo para enfrentar o Marrocos, o que fazer? Acertou quem pensou em um bom churrasco com os amigos. E, claro, essa também foi a escolha do Conselho dos Veteranos aqui do Principado de Água Santa. Mas, até aí morreu o Neves, afinal, se o churrasco é o evento principal de todas as semanas, por que justamente nesse dia inteiro de espera seria diferente?
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Por essas bandas de cá, ninguém está disposto a passar o dia gastando bochechas e ouvidos com a tal da vuvuzela! Senão lembra dela, sorte sua. É aquele instrumento de sopro de plástico que de tão esporrento foi proibido pela Fifa nos estádios por conta do barulho!
Mas voltando a vaca fria (e temperada pra ser posta na grelha), decidimos que hoje o churrasco seria diferente. Vamos adotar essa moda “fusion”, que nada mais é do que misturar as coisas. Nesse caso, os sabores.
Ficou decidido que Fernando, que sabe tudo sobre leis, faria a pesquisa histórica sobre os pratos típicos do Marrocos.
— A gastronomia marroquina é uma das mais ricas e aromáticas do mundo, resultado de séculos de fusão entre as culturas berbere, árabe, moura e mediterrânea. — Afirmou o amigo, copiando o que lhe disse a IA.
— Troca isso em miúdos, Fernando — arrematou Ibiapina.
— Pois é exatamente disso que estou falando. Os marroquinos adoram miúdos. E para evitar desperdícios, eles comem do animal tudo, até mesmo o cérebro, a língua e os olhos!
Isso sim é desafio!
Eu sou um sujeito democrático, mas até mesmo na democracia há de se permitir um momento de autoritarismo:
— Na minha churrasqueira não entra nada disso! — ponderei com muita convicção.
Nelson, malandro da antiga, arrematou:
- Voto na alcatra, para iniciar a festa.

Adilsinho não perdeu tempo:
— Fico com o filé, o contrafilé e o coxão mole.
E Júlio arrematou: —Tem muito do resto do boi para gente aproveitar.
Fred acompanhou:
— Mas prefiro a carne, carne. Além disso, podemos sempre aproveitar o mocotó, a rabada. E tem até quem aprecie o fígado!
Então a solução para manter a harmonia do prato e do grupo, decidimos que a mistura ficaria por conta dos temperos, não das carnes.
— Sim, são riquíssimos em temperos: cominho, cúrcuma, gengibre, páprica e a canela.
Bem, dessa vez, vamos provar da culinária marroquina com temperos e pequenos pedaços do boi.
Pequenos, não miúdos. E tem também o cuscuz, embora o marroquino não seja feito com milho, mas com trigo duro. E podemos complementar com o pão deles, que é parecido com o do árabe e usado para substituir o garfo... eles usam o pão para segurar a comida que vai pra boca.
Mesmo com o tempo chuvoso, decidimos também levar a churrasqueira móvel para a varanda, que ainda está coberta com aquela lona que a gente instalou pra proteger o passaredo da chuva.
Bem, decidida e organizada a primeira parte do churrasco da seleção, agora era só mesmo providenciar as bebidas.
Foi quando Fernando, contendo o riso, falou:
— Tem o uísque marroquino. Na verdade, chá de hortelã. Por conta da religião, não bebem álcool.
Lascou.
Mas uma razão pra gente torcer pra que o Brasil chegue até lá. Digo, até o jogo contra a Escócia. Puro malte, claro!
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