Publicado 18/07/2026 00:00
A ciência é mesmo essa caixinha tecnológica de surpresas. Não é que nesse mundão de espaço interestelar os astrônomos descobriram uma molécula de açúcar em uma nuvem de gás no centro da Via Láctea, a 26 mil anos-luz da Terra? E deram até nome para o microgrãozinho: eritrulose, substância encontrada na framboesa. Segundo eles, é o primeiro "açúcar verdadeiro" encontrado por lá. É, amigos, isso prova que a vida aqui no nosso planeta, no fundo, fundo mesmo, é doce!A notícia sobre a descoberta do açúcar no espaço, claro, virou o assunto principal do cardápio dos veteranos gulosos de Água Santa e adoçou a discussão acalorada do nosso último encontro.
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Sim, porque onde tem ciência, tem também a negação dela. Eu me lembrei de uma história contada pelo Paulo, um amigo antigo que vive hoje em São Paulo. A mãe dele sempre foi católica fervorosa, enquanto o padrasto era ateu. Certa vez, tentando explicar aos filhos por que não acreditava no divino, ele disse:
— Quando os astronautas chegaram à Lua, não encontraram sinais da presença de Deus.
Ao que a mulher rebateu:
— Mentira! Eles avistaram lá São Jorge em seu cavalo branco.
— Se a gente pode acreditar que o homem pisou na Lua, por que não que lá encontrou São Jorge? — indagou o vizinho de boreste, reiniciando uma discussão que já dura 57 anos.
Também me lembrei do Manoel Barbeiro, que já não está mais entre nós. Foi um dos maiores negativistas da região.
Nunca acreditou que o homem tivesse pisado na Lua em 1969 e repetia, para quem quisesse — ou mesmo para quem não quisesse — ouvir:
— Essa foi a maior mentira já dita em todo o planeta Terra.Eu estava de plantão na redação naquela data marcante de 1969 e cobri, pela tevê, o acontecimento, tão importante para a humanidade e, ao mesmo tempo, simbólico para os negacionistas. Diante do vizinho descrente da ciência, a conversa descambou para o assunto que mais amamos. Ibiapina tomou a palavra, depois de uma golada na cerveja, para indagar:
— Será que dá para levar a churrasqueira para o espaço? Seria nosso o primeiro assado lunar.
A verdade é que a Lua sempre despertou curiosidade e admiração, sempre envolta em mistérios, desde os primórdios do homem na Terra. Essa admiração levou a outra constatação até hoje contestada por alguns: a de que a Terra também é redonda. Eu, pessoalmente, gosto muito da Lua. E posso não ter vindo de lá, mas de lá vem a origem do meu nome: da luz do luar.
Trazendo o assunto de volta à mesa, Júlio lembrou que, para ele, o homem ainda não descobriu água de fácil acesso na Lua, logo, ela permaneceria inabitável. Nelson, animado, sugeriu:
— E se levássemos a água para lá? Como fazemos nos casos de incêndios florestais, as aeronaves poderiam captar as águas do Rio Amazonas.
— Melhor não — interrompeu Fred. — Aliás, sorte da Lua não ter água. Sorte dela e nossa. Porque, logo, foguetes turísticos, com levas de excursionistas, deixariam lixo acumulado por lá. E, com o tempo, aquela luz que já embalou tantas paixões aqui na Terra desapareceria.
Aproveitei o silêncio momentâneo e tomei mais um gole do suco de pitanga, que é vermelho, mas não tem açúcar espacial! Pelo menos, não até agora.
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