Publicado 25/07/2026 00:00
A Copa do Mundo acabou, o El Niño chegou e, com ele (não junto, mas no mesmo momento), o novo tarifaço do pato Donald Trump contra o Brasil. Semaninha difícil. As novas e altíssimas taxas entraram em vigor na quarta-feira e fizeram com que o governo brasileiro se reunisse às pressas com os empresários que serão afetados em suas exportações para avaliar os prejuízos e discutir medidas para conter a alta dos preços e do desemprego.
PublicidadeE nós também. O conselho dos veteranos aqui de Água Santa também realizou sua reunião emergencial para avaliar a situação. Mas, pelo menos o nosso principal ativo não foi afetado: para nosso alívio, a carne bovina não entrou na lista dos sobretaxados em 25%. Ainda assim, fizemos questão de convidar para a reunião de emergência o dono do açougue no Engenho de Dentro, principal fornecedor da matéria-prima dos nossos churrascos, para, também, deixar claro para ele que não tem necessidade alguma de subir qualquer valor.Fizemos nosso check-list e as carnes menos nobres também escaparam: línguas; fígados; outras miudezas bovinas. Até mesmo o carvão escapou. Mas nem todos os seres que frequentam o quintal aqui da caverna estão isentos da maldade do pato Donald Trump. A ração da cadela e das duas gatas deverá sofrer aumento para compensar as perdas na exportação dos produtos pets.
É, vai ser osso, Chiquinha!Mas não são só os preços que prometem subir nos próximos meses. Segundo os meteorologistas, esse frio que tem doído alguns ossos aqui da Caverna é passageiro e, muito em breve, o Rio irá enfrentar o calor dos infernos e temporais de derrubar telhas. Fred, o suíço que gosta de inventar coisas, sugeriu que criássemos nosso próprio sistema de alarme.
Ainda discutíamos o que fazer quando o Adilcinho chegou trazendo a má notícia: que o Luiz Carlos Barreto, nosso Barretão, tinha morrido. Bateu aquela nostalgia no grupo e lembrei de uma das obras dele que mais gostei: “O assalto ao trem pagador”. Além do filme ser muito bom, eu vivi aquela história ainda menino.
Tião Medonho fazia jus ao nome. Era feio de doer, grande e do tipo destemido. Ele poderia ter assaltado o trem sozinho, mas precisava de ajuda apenas para controlar os passageiros, que eram funcionários da empresa dos trens. Iam fazer pagamentos dos empregados da rede ferroviária. E tudo que pediu aos comparsas de meia tigela foi que evitassem gastar dinheiro para não chamar a atenção. E eles ouviram a ordem do chefe? Passados os primeiros meses, saíram comprando carro e torrando dinheiro. Acabaram deixando rastros que levaram a polícia a desbaratar toda a quadrilha.
O mais curioso é que os investigadores não acreditaram que aquele sujeito grosso, quase analfabeto, fosse a cabeça pensante por trás do crime, o mais valioso da história: 27 milhões e 600 mil cruzeiros. Eles montaram uma armadilha para pegar Tião Medonho e os irmãos, que acabou em tiroteio. Mesmo com tiro no peito, ele ainda conseguiu escapar, mas foi preso no dia seguinte. E eu fui incumbido de entrar no hospital para tentar uma entrevista exclusiva com o maior ladrão do país: mas ele estava morrendo e eu ainda o vi estrebuchando. Era assustador até mesmo morrendo...Uma história emendou na outra e decidimos escalar três de nós para uma última homenagem ao Barretão. Vai deixar saudades. Ele, não o medonho!
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