Publicado 22/08/2026 00:00
Não vou negar que a bebida, em especial a cerveja, faz parte das nossas tardes de churrasco, desde o tempo em que o Principado de Água Santa era apenas uma caverna. Mas até mesmo pra beber, amigos, há regras. Todos conhecemos a mais importante: se beber, não dirija. É até crime. Mas há outras recomendações que ninguém lembra de fazer, mas deveria...
PublicidadeE já começo citando o caso de uma amiga que mora lá pelas bandas da Zona Sul. Ela decidiu me fazer uma visita surpresa e chegou bem na hora da reunião dos Conselheiros do Principado. A surpresa foi ainda maior quando nos deparamos com o olho roxo que lhe enfeitava as feições.
— Mas o que foi isso?
— Um caso raro de embriaguez na condução do portão de ferro — ela disse, e explicou:
Contou que, depois de comemorar em casa a folga antecipada, decidiu dar uma esticada até a festa de um outro amigo que rolava num bar pertinho de sua casa. E, claro, foi a pé. Acontece que, no prédio onde ela mora, o portão é antigo, tem uns três metros de altura e pesa uns cem quilos de puro ferro. Para melhorar a segurança, a síndica mandou instalar aquele sistema de fechadura eletroímã, que agarra e só destranca com um token que funciona como chave. Mas a geringonça não abre imediatamente: tem uma demora de segundos. A amiga até lembrou de levar o token, mas esqueceu do temporizador:
— Eu resolvi dar uma ajudinha, justamente no momento em que o sistema soltou o portão, que veio com vontade na minha direção. Não tive tempo de sair da frente.
— Acontece — defendeu Ibiapina.
E lembramos do caso de um outro amigo, que conhecíamos por Neném. Um dia, ele resolveu que iria criar rãs e foi morar num sítio onde instalou vários tanques. A ciência da criação de ranários é manter o ambiente silencioso. O ruído estressa o bicho e impede a alimentação.
Pois, numa tarde, sozinho, se deixou acompanhar de uma garrafa de cachaça. Quando viu que já estava ficando meio alto, decidiu cozinhar um milho verde pra repor a sobriedade. Ao perceber que o milho já estava amarelinho, no ponto ideal, meteu a mão para pegar. Só esqueceu que a água fervia na panela. O desespero foi tanto que saiu gritando, com a mão para cima, atravessando o corredor de tanques. Num só descuido fervente, conseguiu queimar a mão e arruinar a criação.
Cerveja, sabemos, combina bem com o churrasco, mas nem tanto com a churrasqueira. Eu já estava ficando cabreiro com a ideia de que – sendo o único do grupo em dieta, portanto, só no suco de pitanga – acabaria tendo que assumir o volante da churrasqueira. E, confesso, o que me sobra em talento para saborear um assado me falta para produzi-lo.
Mas agora, desse risco, estamos livres. A admissão do Júnior, o mais recente e também mais novo de idade do grupo dos velhos, trouxe solução pra todos os problemas. Ele é o faz-tudo da região. Aqui em casa já consertou um bando de tomadas, o ventilador de teto, a enceradeira e o aspirador de pó. Foi ajeitando tudo a preços módicos. Para melhorar, gosta de fazer churrasco (e faz bem). E tem uma vantagem extra: é taxista e quase nunca bebe! Já está escalado pro próximo encontro do grupo.
A pauta para o evento já foi escolhida: a roubalheira que assola o País! Afinal, em ano de eleição, é melhor lembrar desse assunto antes do que passar mais quatro anos pensando nele!
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