Wallid Ismail, presidente do Jungle FightHugo Elevaty Esportes
Publicado 02/02/2026 05:00 | Atualizado 02/02/2026 11:22
Faixa-coral de jiu-jitsu, Wallid Ismail construiu trajetória como atleta, dirigente e promotor ligado à defesa e à difusão do jiu-jitsu e MMA no país. Foi competidor de alto nível nos anos 1980 e início de 1990, quando o jiu-jitsu buscava afirmação frente a outras modalidades de combate. Em 1991, promoveu o desafio entre jiu-jitsu e luta-livre, que ajudou a consolidar o conceito de lutas entre artes marciais e foi uma das inspirações para o UFC. Fundou o Jungle Fight, o maior evento de MMA da América Latina.

SIDNEY: Para o senhor, que é uma referência no MMA, as crianças devem começar a praticar artes marciais a partir de qual idade?
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WALLID ISMAIL: Eu recomendo que as crianças comecem o quanto antes, dentro de projetos sociais ou academias sérias. Nesse início, o foco é educação, disciplina, respeito e convivência. Muitos atletas que hoje estão no Jungle Fight começaram em projetos sociais e hoje podem dar uma vida melhor para seus familiares. Esta atividade tem crescido muito no Brasil e no Rio de Janeiro.
Quais são os números que o senhor dispõe de geração de emprego e renda?
O MMA gera emprego direto e indireto em academias, projetos sociais, eventos, produção, comunicação, serviços e turismo. O Jungle Fight movimenta essa cadeia em cada edição por todo o estado que passa. Além disso, o evento mantém atletas com pagamento mensal, para que possam treinar, se dedicar à carreira e dar uma vida digna às suas famílias. Isso é renda contínua, não só bolsa de luta.
O MMA ajuda a inclusão social em que dimensão?
A inclusão acontece quando o esporte vira oportunidade real. A maioria dos atletas brasileiros vem de projetos sociais. O Jungle Fight promove as Eliminatórias Jungle justamente para descobrir talentos que não teriam visibilidade. Menos de 1% dos lutadores brasileiros conseguem chance no exterior. Nosso trabalho é criar essa oportunidade dentro do Brasil. Inclusive, a Polícia Militar do Rio, em parceria com a Legião da Boa Vontade (LBV), faz um trabalho incrível de levar os ensinamentos das lutas a jovens de comunidades, com aulas tanto dentro do batalhão quanto nas favelas.
Como demonstrar para a sociedade que as lutas marciais são práticas construtivas e não celeiros de brigões?
As artes marciais ensinam regras, controle e responsabilidade. Academia forma cidadão. O jovem que treina tem rotina, acompanhamento e referência. O esporte ajuda na saúde física e mental e funciona como prevenção social, principalmente em áreas com menos acesso a políticas públicas.
Quais são seus planos para 2026?
Os planos para este ano são mais ambiciosos. Vamos realizar grandes eventos, incluindo mais um Fight do Milhão, ampliar o alcance do Jungle Fight, gerar mais emprego e renda e aumentar o impacto social. O Fight do Milhão segue como um marco, com um R$ 1 milhão distribuído igualmente entre lutadores e lutadoras campeões do Grand Pix (GP), mostrando que o esporte pode ser justo e sustentável.
Além de ex-lutador, o senhor também é empresário e empreendedor. Como atrair investidores no mercado brasileiro e não só no americano?
O investidor precisa ver estrutura, projeto e impacto social. O Jungle Fight é o maior evento de MMA da América Latina e mostra que dá para valorizar atletas no Brasil. Parceria é fundamental. Sou grato às pessoas que acreditam no projeto e ajudam a mostrar nossos atletas sem que precisem sair do país para serem reconhecidos. Também agradeço o apoio do presidente da Loterj, Hazenclever Cançado, e do governador do Rio, Cláudio Castro, que entendem o esporte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento social.
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