Publicado 16/02/2026 05:00
Professor da rede municipal de ensino, Cláudio Francioni é comentarista durante todo o ano do portal SRzd, especializado em Carnaval, onde faz análises técnicas os quesitos dos desfiles, além de shows musicais. Ritmista há 36 anos com passagem em mais de 40 escolas de samba do Rio, foi diretor de bateria, deu aulas na oficina de ritmos do Laboratório de Cultura Popular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), além de acumular experiência como julgador de bateria dos grupos de acesso.
PublicidadeSIDNEY: O som na Avenida Marquês de Sapucaí este ano estará diferente. Quais são as novidades?
CLÁUDIO FRANCIONI: Depois de muitas críticas e pedidos para que os problemas de som fossem resolvidos, finalmente a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA) resolveu testar um modelo novo, eliminando o carro de som. O novo formato foi colocado à prova nos ensaios técnicos e, tirando um ou outro problema, como falhas de equalização ou o apagão durante o segundo ensaio do Salgueiro, a opinião geral é positiva. Vamos agora ao teste definitivo nos desfiles.
Como ex-diretor de bateria, qual a sua expectativa em relação ao enredo da Viradouro sobre o Mestre Ciça?
Expectativa enorme, não só minha, como de todo o mundo do samba. O Ciça é uma das poucas unanimidades que conheci nesses meus quase 40 anos de avenida. Na minha opinião, por seu talento, coragem, longevidade, influência e, principalmente, carisma, é o maior mestre da história do Carnaval carioca.
Qual é a sua opinião sobre a divisão dos quesitos em subquesitos?
Acho positiva. Na verdade, pegaram a maioria dos parâmetros de avaliação que já existiam dentro dos quesitos e estipularam valores para cada um. Até ano passado, o julgador tinha a liberdade de atribuir o valor que desejasse a cada parâmetro. Agora, cada item tem o seu valor e isso torna o julgamento mais claro para o povo.
Os ensaios técnicos a cada ano despertam mais interesse. Eles são um bom termômetro de como a escola vai se apresentar ou treino é treino e jogo é jogo?
Ambas as coisas. Carnaval se decide no desfile, mas o ensaio técnico mostra muita coisa, principalmente na parte musical das escolas. Ali a gente observa a execução do samba enredo ao vivo, com todos os cantores, acompanhamentos e arranjos dos instrumentos harmônicos, encaixe da bateria com o samba e o canto da escola. Outros quesitos que se pode tirar alguma coisa são o casal de mestre-sala e porta-bandeira e um detalhe ou outro da Comissão de Frente. Mas a questão visual, só no dia do desfile mesmo.
Qual é a sua avaliação sobre a safra de sambas de 2026?
Acho inferior à do ano passado. Temos alguns grandes sambas, como da Vila Isabel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti, mas, na média, acho que no ano passado foi mais homogêneo.
Pela sua experiência, quais as escolas de samba do grupo especial são favoritas este ano?
Pelo ano mágico que viveu, com um samba antológico que mexeu com todo o mundo do Carnaval, com um tipo de enredo que é a cara da escola e por tudo o que aconteceu em seus ensaios, não dá para deixar de considerar a Vila Isabel como favorita ao título, mas acredito que a Beija-Flor estará nessa disputa ponto a ponto. Eu colocaria ali perto a Unidos do Viradouro e a Imperatriz Leopoldinense, por seus grandes carnavalescos (Tarcísio Zanon e Leandro Vieira, respectivamente), por suas estruturas atuais e pela emoção que seus enredos (Mestre Ciça e Ney Matogrosso) podem causar no público. Como possível surpresa para o campeonato, eu apontaria a Portela, a maior campeã da história do Carnaval do Rio, que conquistou, até o momento, 22 títulos no Grupo Especial.
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