André Português, ex-prefeito de Miguel Pereira, pode ser um dos candidatos ao governo fluminenseDivulgação
Publicado 15/06/2026 05:00
Formado em Gestão Pública e Gestão Hospitalar, André Português fez MBA em Gestão, Empreendedorismo e Desenvolvimento de Negócios. Empresário da construção civil, iniciou na vida pública há 26 anos. Foi vereador em Miguel Pereira e prefeito do município da Região Serrana por dois mandatos. No intervalo, ocupou a Secrtaria de saúde de Paty do Alferes. Presidiu o consórcio intermunicipal de saúde da região Centro-Sul fluminense e a Associação Estadual de Municípios do estado. Atualmente, está à frente da Miguel Pereira Tur.
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SIDNEY: O senhor foi prefeito de Miguel Pereira, onde vivem cerca de 27 mil moradores. O que o motivou a se candidatar ao governo do estado, com 17 milhões de habitantes?
ANDRÉ PORTUGUÊS: Eu respondo com um número: 60% das cidades do Rio de Janeiro têm até 50 mil habitantes. Quem provou que sabe transformar uma cidade dessas conhece a realidade da maioria do território fluminense. Mas não foi só Miguel Pereira que me trouxe até aqui. Presidi duas vezes a associação que reúne os prefeitos dos 92 municípios do estado e estive quatro mandatos à frente de um consórcio intermunicipal de saúde. Eu conheço os problemas de Campos, que não são os de Angra; os de Duque de Caxias, que não são os de Itaperuna. O que me motivou é simples: o Rio é o estado mais rico em recursos do país — petróleo, royalties, porto, turismo, indústria —, mas virou vergonha nacional por causa da politicagem. Eu não vim salvar o Rio. Vim trabalhar para o Rio. O Rio não precisa de mais um governador. Precisa de um gestor.

A segurança pública é a maior preocupação do morador do Rio. Como será o combate às milícias e facções que dominam o estado?
A escolha da minha vice já é a resposta. A delegada Thaianne Moraes veio do Ministério Público e na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) combateu o crime organizado e a lavagem de dinheiro. Ela sabe, por experiência, que milícia e facção não se sustentam só com fuzil — se sustentam com dinheiro: é a taxa cobrada do gás, da água, da van, do imóvel, do cigarro. Quem ataca só o fuzil enxuga gelo; quem segue a rota do dinheiro asfixia a organização. Nosso governo vai estruturar a inteligência financeira do estado, integrar com o Ministério Público, a Receita e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), e sufocar o caixa do crime. Mais de 99% dos policiais do Rio são honestos e arriscam a vida todos os dias — apenas 0,7% da tropa responde a processo. O problema está em quem manda. O policial bom precisa de comando bom, respeito e estrutura. É isso que vamos entregar. Combate ao crime organizado é trabalho de gestor: inteligência, integração e continuidade, não operação oportunista.

Qual é o caminho para desenvolver um estado com uma dívida de R$ 220 bilhões?
O Rio é o estado mais rico em recursos do país. O que falta não é dinheiro, é gestão que respeite cada centavo. A dívida é real e exige seriedade: cumprir o que foi pactuado com a União, recuperar credibilidade fiscal e fazer o estado voltar a ser confiável para quem quer investir. Eu sei fazer muito com pouco, porque foi assim que governei: Miguel Pereira tinha o terceiro pior orçamento do estado e, mesmo assim, atraímos quase R$ 1 bilhão em parcerias com a iniciativa privada nos dois mandatos. Não foi milagre, foi método: projeto bem feito, segurança jurídica e palavra cumprida. É assim que governo. O Estado não precisa fazer tudo sozinho, precisa ser um bom parceiro, um bom contratante e um bom pagador.

A saúde no Rio precisa melhorar. O senhor pretende manter o modelo de gestão dos hospitais estaduais via Organizações Sociais?
Estive quatro mandatos à frente de um consórcio intermunicipal de saúde e aprendi uma coisa: o paciente na fila não pergunta quem administra o hospital; pergunta se vai ser atendido. O problema do Rio não é a sigla do contrato, é a falta de gestão e de fiscalização. Vamos auditar contrato por contrato: onde a OS entrega com qualidade e custo justo, mantém e cobra meta; onde não entrega, rescinde e responsabiliza. Gestão pública de verdade tem indicador, meta, transparência e consequência. E pasta técnica se entrega a especialista, não a apadrinhado político. Em Miguel Pereira, está sendo construída a Cidade da Saúde com o terceiro pior orçamento do estado. Saúde boa não é questão de modelo, é questão de gestor.

A rede estadual de ensino enfrenta altos índices de evasão escolar. Como tornar a escola pública de qualidade e valorizar o magistério?
Não existe educação de qualidade sem respeito ao professor, é preciso andar de mãos dadas com ele. Nos meus oito anos de gestão, sempre concedi reajustes acima do mínimo obrigatório. Esse é o meu histórico, não é promessa de campanha. Valorizar o magistério é salário digno, formação continuada. É entregar a Secretaria de Educação a quem entende de educação e não usar como moeda de troca ao apoio político. E, quanto à evasão, aluno não abandona escola que faz sentido na vida dele. A escola estadual precisa conversar com a realidade de cada região, porque o problema da escola de Nova Iguaçu não é o da escola de Cabo Frio. Escola com infraestrutura, professor respeitado e ensino conectado com oportunidade de trabalho segura o jovem. É trabalho de gestão, feito município por município, escola por escola.

O turismo fez Miguel Pereira crescer e é um setor de sucesso na capital. Existe algum plano para incrementar o interior?
Esse é um assunto que está diretamente ligado à minha história. Turismo é uma indústria sem chaminé, é dinheiro novo na veia, é desenvolvimento local. Miguel Pereira estava fora do mapa e hoje recebe mais de um milhão de visitantes por ano, apesar de ter o terceiro pior orçamento do estado. A Terra dos Dinos virou um dos maiores parques temáticos do país e nasceu de parceria com a iniciativa privada. O que está provado ali é um método: identificar a vocação da cidade, estruturar o produto, dar segurança jurídica ao investidor e promover com excelência. O interior do Rio é um tesouro mal aproveitado — a Serra, o Vale do Café, a Costa Verde, a Região dos Lagos, o Norte. Cada cidade tem uma vocação, e governar é enxergar cada município como ele é. Turismo no interior é emprego que não vai embora, é renda que fica na cidade, é o jovem que não precisa migrar. Não existe município fadado ao insucesso, o que existe é município sem projeto e sem planejamento. O método está provado. Miguel Pereira foi o começo, o Estado do Rio é o destino.
Colaboração de Claudia Villas Boas
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