Publicado 19/10/2026 05:00
Diretor do Hospital Mario Kroeff, Silvio Silva Fernandes preside a Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio e chefia a 28ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia. Mestre em Medicina pela UFRJ e especialista titulado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, coordena programas de pós-graduação em Ginecologia e Mastologia e é membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. O hospital, localizado na Penha, na Zona Norte do Rio, atende 100% pelo SUS e em 2025 registrou 70 mil atendimentos, o maior em 80 anos.
SIDNEY: Quem tem direito à mamografia gratuita pelo SUS e a partir de qual idade é recomendada?
SILVIO FERNANDES: O Sistema Único de Saúde (SUS) determina que pacientes a partir dos 40 anos possam fazer a mamografia a cada dois anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia preconizam o exame a partir da mesma idade, anualmente. Mas, pelo SUS, a determinação é que seja feito a cada dois anos.
Quais são as alterações visuais ou no toque da mama que exigem avaliação médica urgente?
Nódulos são alterações que exigem atenção. A paciente deve fazer o autoexame uma vez por mês e, ao identificar algum nódulo ou caroço, procurar imediatamente o médico. Mas, mesmo não encontrando nada, deve ir ao médico pelo menos uma vez ao ano para fazer essa avaliação. O médico tem a mão mais adestrada, por assim dizer, para esse tipo de avaliação e consegue, às vezes, identificar algumas lesões que a própria paciente não consegue.
PublicidadeSIDNEY: Quem tem direito à mamografia gratuita pelo SUS e a partir de qual idade é recomendada?
SILVIO FERNANDES: O Sistema Único de Saúde (SUS) determina que pacientes a partir dos 40 anos possam fazer a mamografia a cada dois anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e a Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia preconizam o exame a partir da mesma idade, anualmente. Mas, pelo SUS, a determinação é que seja feito a cada dois anos.
Quais são as alterações visuais ou no toque da mama que exigem avaliação médica urgente?
Nódulos são alterações que exigem atenção. A paciente deve fazer o autoexame uma vez por mês e, ao identificar algum nódulo ou caroço, procurar imediatamente o médico. Mas, mesmo não encontrando nada, deve ir ao médico pelo menos uma vez ao ano para fazer essa avaliação. O médico tem a mão mais adestrada, por assim dizer, para esse tipo de avaliação e consegue, às vezes, identificar algumas lesões que a própria paciente não consegue.
Em que nível o histórico familiar influencia o risco de ter câncer de mama?
O histórico familiar influencia bastante quando existem parentes de primeiro grau, principalmente mãe, irmãs e pai. Se o pai teve câncer de mama, também aumenta o risco.
O câncer de mama é associado a mulheres, mas como homens e pessoas trans e não binárias podem descobrir a doença?
O câncer de mama também pode acometer homens. A proporção é de aproximadamente um caso em homens para cada 100 casos em mulheres. O homem normalmente identifica com mais facilidade, porque tem menos tecido mamário, então é mais fácil perceber uma alteração. Porém, no homem, geralmente uma lesão pequena já pode atingir ou se fixar ao músculo. Isso muda o estadiamento, ou seja, o avanço porque ele tem pouco tecido mamário para a tumoração se desenvolver. No caso dos homens trans, é preciso ter atenção porque eles também possuem mama. Portanto, continuam tendo risco. Um adendo importante é que pessoas trans que usam testosterona em doses altas e de forma crônica podem ter outras consequências na saúde, que precisam ser acompanhadas.
Quais são os hábitos diários que ajudam a reduzir o risco de desenvolver a doença?
Evitar a ingestão de álcool e combater a obesidade. O tecido gorduroso é um tecido inflamado e funciona como um grande depósito de hormônios, principalmente o estrogênio. Por isso, pacientes com sobrepeso ou obesidade devem ter atenção. A atividade física também é importante. São cuidados que podem diminuir consideravelmente o risco de câncer de mama.
Quando a doença é descoberta no início, quais são as chances de cura?
As chances de cura atualmente são muito grandes. Temos diversos tipos de tratamento. Uma vez diagnosticada a doença, fazemos exames na peça cirúrgica, como a imuno-histoquímica, para identificar o perfil do tumor. A partir disso, podem ser indicados tratamentos quimioterápicos, medicamentos e hormonioterapia, que são cada vez mais específicos. Varia de acordo com a agressividade ou não do tumor, dependendo desse painel imuno-histoquímico. Hoje, temos, sim, possibilidade de cura, principalmente quando o paciente identifica uma lesão muito precocemente. Quando a doença é identificada cedo, temos uma taxa de êxito muito boa - cerca de 90% dos casos.
Colaboração de Claudia Villas Boas
O histórico familiar influencia bastante quando existem parentes de primeiro grau, principalmente mãe, irmãs e pai. Se o pai teve câncer de mama, também aumenta o risco.
O câncer de mama é associado a mulheres, mas como homens e pessoas trans e não binárias podem descobrir a doença?
O câncer de mama também pode acometer homens. A proporção é de aproximadamente um caso em homens para cada 100 casos em mulheres. O homem normalmente identifica com mais facilidade, porque tem menos tecido mamário, então é mais fácil perceber uma alteração. Porém, no homem, geralmente uma lesão pequena já pode atingir ou se fixar ao músculo. Isso muda o estadiamento, ou seja, o avanço porque ele tem pouco tecido mamário para a tumoração se desenvolver. No caso dos homens trans, é preciso ter atenção porque eles também possuem mama. Portanto, continuam tendo risco. Um adendo importante é que pessoas trans que usam testosterona em doses altas e de forma crônica podem ter outras consequências na saúde, que precisam ser acompanhadas.
Quais são os hábitos diários que ajudam a reduzir o risco de desenvolver a doença?
Evitar a ingestão de álcool e combater a obesidade. O tecido gorduroso é um tecido inflamado e funciona como um grande depósito de hormônios, principalmente o estrogênio. Por isso, pacientes com sobrepeso ou obesidade devem ter atenção. A atividade física também é importante. São cuidados que podem diminuir consideravelmente o risco de câncer de mama.
Quando a doença é descoberta no início, quais são as chances de cura?
As chances de cura atualmente são muito grandes. Temos diversos tipos de tratamento. Uma vez diagnosticada a doença, fazemos exames na peça cirúrgica, como a imuno-histoquímica, para identificar o perfil do tumor. A partir disso, podem ser indicados tratamentos quimioterápicos, medicamentos e hormonioterapia, que são cada vez mais específicos. Varia de acordo com a agressividade ou não do tumor, dependendo desse painel imuno-histoquímico. Hoje, temos, sim, possibilidade de cura, principalmente quando o paciente identifica uma lesão muito precocemente. Quando a doença é identificada cedo, temos uma taxa de êxito muito boa - cerca de 90% dos casos.
Colaboração de Claudia Villas Boas
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