Antigo comercial que resultou na chamada "Lei de Gersonreprodução
Publicado 20/05/2022 14:52

Quem não se lembra dos emblemáticos “Brasileiros gostam de levar vantagem em tudo” ou “Eu tenho, você não tem”. Esses dois recortes exemplificam bem a relação da publicidade com as reflexões sociais no Brasil.  Dá para analisar a nossa evolução através de peças publicitárias.

Levar vantagem em tudo

A história contada através dos comerciais da TV. Uma verdadeira radiografia. Quem é da época, não esquece a frase recortada do comercial estrelado pelo ex-jogador de futebol Gerson “Eu gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve você também!”

O slogan surgiu na campanha do extinto cigarro Vila Rica. Acabou sendo conhecido como a “Lei de Gerson” e usado fora do contexto almejado pelos criadores. A acabou servindo de discussão para que a sociedade avaliasse seu comportamento de gostar de levar vantagem em tudo em detrimento do bem comum ou pelo uso de práticas não muito éticas.

Eu tenho, você não tem

Outra que saiu pela tangente foi a de uma marca de tesouras que repetia este slogan como um mantra. Veiculada nos anos 90, foi associada como incentivo ao consumismo e a discriminação aos menos assistidos, assim como estimular comportamentos consumistas.
E essa peça foi uma das que serviu de discussão e avaliação dos valores. Sua reflexão foi uma das bases para que o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente elaborasse a regulamentação da publicidade infantil que acabou sendo um divisor das águas na programação infantil na TV.
Extinção dos programas infantis nas TVs comerciais
Como reação quase imediata, logo após implantadas as restrições publicitárias, os programas destinados aos menores desapareceram quase por completo da TV aberta comercial, ficando restritos aos canais de interesse educativos-sociais TV Escola, TV Brasil, TV Cultura e MultiRio, produtora da prefeitura carioca.
A prova de que essas novas regras funcionaram como "divisor das águas" é de que os extintos infantis faziam parte desde a inauguração da TV, que chegou a ser chamada babá eletrônica. Atrações emblemáticas de sua história que não cabem mais na realidade das grades de programação atuais. Entre elas: Circo do Carequinha, Capitão Asa, Plim-Plim, Tio Maneco,  Daniel Azulay, Pullman Júnior (no Rio de Janeiro com Luciana Savaget e em São Paulo, com Cidinha Campos) e Clube da Criança – com Xuxa e depois Angélica.
Comerciais: Uma radiografia da nossa sociedade

Agora, os comerciais deixam seus espaços nos intervalos para protagonizarem a cena. Presentes desde as primeiras transmissões da TV Tupi (1950) surgiram através das garotas-propagandas, depois aposentadas pela implantação do modelo 30 segundos, que é justamente o título da minissérie que estreia na próxima terça-feira (24/05) no canal e streaming da HBO.


Partindo da premissa de que a publicidade é o grande retrato do momento da história do país, "30 segundos" conta com depoimentos dos principais criativos brasileiros. São personalidades que impactaram nas últimas cinco décadas e ajudaram a construir um retrato social do Brasil por meio da propaganda, como um espelho que reflete não apenas o que o país é, mas, principalmente, o que ele pode ser.
Entre os entrevistados: Washington Olivetto, Nizan Guanaes, Carlos Moreno, Luiz Fernando Guimarães, Roberto Justus, José Bonifácio (Boni) de Oliveira Sobrinho, Silvio de Abreu, entre outros.

“O grande desafio foi contar a história dos últimos 50 anos do Brasil pelo olhar da publicidade. Mas com a contribuição dos incríveis depoimentos e obras dos verdadeiros protagonistas dessa história ficou fácil. Vamos conhecer os costumes, a cultura, a política, as contradições e os valores de cada década num ritmo vibrante e dinâmico como um bom entretenimento merece”, afirma o diretor geral da minissérie "30 segundos" João Daniel Tikhomiroff.
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