Marina Silva tenta fechar porteira para conter boiadafoto de divulgação
Publicado 07/01/2023 14:27 | Atualizado 07/01/2023 15:02
Um território devastado onde as porteiras foram abertas para a boiada passar. Desmatamentos recordes, queimadas, poluição... Um verdadeiro campo minado dominado por milícias, grileiros, madeireiros, garimpeiros ilegais, caçadores, biopiratas que não se intimidam em impor suas vontades e suas penas de morte como as do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.
Tentando retomar o controle, Marina Silva teve seus primeiros dias de combate a essas permissividades lutando com uma máquina administrativa desmontada, assim como os desvalidos órgãos de fiscalização e atuação como Ibama e ICMBio e Polícia Federal.
Recuperação Internacional
No campo internacional, a grande missão é recuperar a imagem e o protagonismo do país desmoralizado pelas atitudes dos últimos anos. Uma das primeiras primeiras providências com retorno de Lula da Silva foi a assinatura do decreto para resgatar do Fundo Amazônia, bloqueado desde 2109 diante das atitudes antiambientais do governo anterior.
Essa atitude inicial ganhou não apenas as manchetes nacionais mas as doa jornais esntangeiros. As reações internacionais foram imediatas com a Alemanha liberando 35 milhões de euros e a Noruega R$ e bilhões. A ministra do Meio Ambiente do Reino Unido, Therese Coffey, disse que está “analisando seriamente” entrar no Fundo Amazônia. Therese Coffey revelou que o governo britânico já está entrou em contato com autoridades brasileiras, assim como da Noruega e Alemanha, que já fizeram suas doações, para seguir o mesmo caminho.

Reaproximação com o mundo
Junto com essa reativação com a Alemanha, Noruega e a Inglaterra, outros bloqueios ambientais internacionais já estão na linha imediata de liberação. O Brasil já corteja outras nações e entidades para investirem no Brasil, entre elas: Canadá, Suíça e França.
Além dos governos estrangeiros, a comissão ambiental também encontra-se em estado avançado de aproximação com dois gigantes fundos financeiros globais. A coluna teve acesso a informação de que um deles já está bem alinhavado, mas com o nome ainda mantido a sete chaves. Já o outro, levantamos que é pertencente ao milionário norte-americano Jeff Bezos que já abana para o mundo um cheque de US$ 10 bilhões para aplicações em ações de combate as mudanças climáticas.

O que é o Fundo Amazônia?
Foi criado em 2008 no âmbito internacional para captar doações a serem investidas na preservação da maior floresta urbana do mundo. Pelo regimento, os recursos podem ser doados por países, empresas e cidadãos em geral. O montante arrecadado é repassado ao Brasil via BNDES, que atua como responsável por gerir os recursos.
No entanto, para o desbloqueio desses valores é preciso que o Brasil comprove periodicamente suas ações e boas intenções com relação a floresta, o que inclui: fiscalização, monitoramento, redução do desmatamento e da emissão de gás carbônico.
O Brasil estava conseguindo cumprir essas contrapartidas até 2018, possibilitando o ingresso de recursos internacionais para 102 projetos que beneficiaram 190 áreas de conservação e financiamento de 435 estudos científicos. O Fundo foi um dos principais instrumentos de apoio para projetos de proteção e desenvolvimento sustentável na Amazônia brasileira por uma década.
“Com a retomada dos recursos haverá a possibilidade de tornar iniciativas e projetos para a região ainda mais robustos e com maior escala, atendendo assim o caráter de urgência por soluções que mantém a floresta em pé e contribuam para redução da desigualdade social” – acredita Patrícia Cota Gomes, gestora da rede Origens Brasil que conta com 3.320 produtores beneficiados, movimentando R$15.4 milhões com 74 instituições de apoio e conservação de 58 milhões de hectares de floresta feita pelos povos indígenas e pelas populações tradicionais.
O Fundo aprovou seus primeiros projetos em 2009 e captou desde sua criação o total de US$ 1,3 bilhão. Atualmente, conta com uma carteira de 102 projetos, com valor total de apoio de R$ 1,8 bilhão, dos quais R$ 1,5 bilhão já desembolsados.

BNDES retoma o comando
Contrato foi refirmado e permitirá avançar nas agendas de clima e combate ao desmatamento. Retomada as parcerias a ambientais que ocorrem por mais de meio século e que hoje foca no uso sustentável das florestas, energias renováveis, eficiência energética e mobilidade urbana sustentável.
O ponta pé desse recomeço do jogo interrompido, chega com as assinaturas entre o BNDES e o banco alemão KfW, ocorrida no Rio de Janeiro, de contratos de doação, com o objetivo de formalizar o apoio da entidade estrangeira ao Fundo Amazônia, no valor total de até 35 milhões de euros.
“A nova captação realizada junto ao KfW para o Fundo Amazônia é um importante passo preparatório para a retomada da sua governança e, por conseguinte, a capacidade de seleção e aprovação de novos projetos socioambientais. Também abre espaço para captação de novos recursos para instrumentos de blended finance que financiarão investimentos de impacto”, declarou Bruno Aranha, Diretor de Crédito Produtivo e Socioambiental do BNDES.
A Alemanha, por meio do KfW é a segunda maior financiadora de recursos do Fundo Amazônia, já tendo doado anteriormente EUR 54,9 milhões. Esta é a terceira transferência dessa entidade financeira internacional, que totalizará o apoio de cerca de EUR 90 milhões ao Fundo.
Rompimento com o Brasil
O financiamento externo para a manutenção da floresta brasileira estava suspenso desde 2019 em represália ao considerado descompromisso ambiental. O relacionamento, que já não era bom, piorou quando o Governo Bolsonaro acusou o Fundo de práticas irregulares não comprovadas até hoje. Além disso, os doadores perderam o interesse diante de denúncias de que o desmatamento atingiu o maior nível, assim como o recuo em ações de proteções e fiscalização ambiental, assim como o avanço da agricultura industrial e da mineração na região.

Prejuízos para a Amazônia
Esse atrito e a desconfiança internacional impediram a entrada de 35 milhões de euros carimbados para ações amazônicas. Recurso que já estava comissionado. Isso sem contar com outros R$ 3 bilhões que seguem parados sem aplicabilidade. Fora que, essa situação fez com que novas doações deixassem de ser efetivadas neste período. A estimativa do governo Lula é de que exista uma imensa demanda reprimida de financiadores que apenas aguardavam a posse para reativarem os projetos e financiamentos.
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