Publicado 07/06/2025 00:34 | Atualizado 08/06/2025 17:29
Um dos setores mais despreparados para diversidade é o de eventos e entretenimento. Não estamos nos referindo a acessibilidade aos salões e plateias, embora esses espaços também precisem ser aperfeiçoados. Apesar do público ainda enfrentar dificuldades, os entraves são bem maiores nos bastidores.
PublicidadeA circulação no interior dos equipamentos culturais é composta por um labirinto de obstáculos quase instransponíveis para profissionais com deficiência. Definitivamente não foram pensados ou ajustados para a acessibilidade. São escadas, coxias, palcos, camarins, cenografias que viram impeditivos para a atuação de mão de obra PCD.
Por bastidores mais inclusivos
Embora constituem exceções, algumas iniciativas tentam mudar essa realidade. Focada na inclusão de profissionais autistas e neurodivergentes, o braço brasileiro da ONG dinamarquesa Specialisterne fechou um contrato com a Tim, patrocinadora e produtora de vários projetos culturais no Brasil.
Embora constituem exceções, algumas iniciativas tentam mudar essa realidade. Focada na inclusão de profissionais autistas e neurodivergentes, o braço brasileiro da ONG dinamarquesa Specialisterne fechou um contrato com a Tim, patrocinadora e produtora de vários projetos culturais no Brasil.
Esta Organização Social está mapeando os principais impeditivos e as oportunidades que podem surgir nesse nicho. Ao mesmo busca acordos com empresas, apoiadores e patrocinadores em programas de inclusão neste mercado.
Entre as iniciativas proativas vem realizando reuniões com as produções dos festivais Rock in Rio e do The Town que podem resultar no fechamento de uma parceria operacional para a implantação de praticas que possibilitem a entrada desse tipo de mão de obra das próximas edições desses festivais.
A DJ que transcende
Raros neste universo, obstinados profissionais e produções isoladas furam esses bloqueios. A DJ carioca Karen dos Anjos é uma das vozes que rompem esse silêncio. A paralisia cerebral, dificuldades motoras e de fala não impedem sua ascendente atuação na cena musical do Rio de Janeiro. Apesar de conseguir se estabelecer neste fechado segmento, a profissional ressalta a ausência de representatividade e oportunidades.
“A indústria do entretenimento, com relação às pessoas com deficiência, ainda é muito pouco, quase zero. Você não vê as pessoas com deficiência na TV, no teatro, no palco, na abertura de um show sendo o artista principal… A gente tem o grande Herbert Vianna, mas essa bandeira precisa ser levantada e é por isso que eu corro atrás”, afirma.
Entre as iniciativas proativas vem realizando reuniões com as produções dos festivais Rock in Rio e do The Town que podem resultar no fechamento de uma parceria operacional para a implantação de praticas que possibilitem a entrada desse tipo de mão de obra das próximas edições desses festivais.
A DJ que transcende
Raros neste universo, obstinados profissionais e produções isoladas furam esses bloqueios. A DJ carioca Karen dos Anjos é uma das vozes que rompem esse silêncio. A paralisia cerebral, dificuldades motoras e de fala não impedem sua ascendente atuação na cena musical do Rio de Janeiro. Apesar de conseguir se estabelecer neste fechado segmento, a profissional ressalta a ausência de representatividade e oportunidades.
“A indústria do entretenimento, com relação às pessoas com deficiência, ainda é muito pouco, quase zero. Você não vê as pessoas com deficiência na TV, no teatro, no palco, na abertura de um show sendo o artista principal… A gente tem o grande Herbert Vianna, mas essa bandeira precisa ser levantada e é por isso que eu corro atrás”, afirma.
Mesmo enfrentando obstáculos que vão desde preconceito e falta de estrutura até a ausência de equipamentos adaptados, a DJ destaca suas conquistas:
“Hoje eu consigo dizer que sou uma pessoa com vitória nesse quesito, que estou conquistando meu espaço, sim, mas encontrar outros artistas, você tem que correr atrás, porque a gente continua minúsculo”.
Mapeamento da Exclusão
Diante desse cenário, o Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), lançou em 2024 o projeto Mapeamento Acessa Mais. A iniciativa busca identificar artistas e agentes culturais com deficiência em todo o país, englobando áreas como literatura, música, teatro, dança e performance.
O objetivo é reunir informações que fundamentem políticas públicas de acessibilidade e inclusão no setor cultural. A coleta de dados segue em andamento e deverá oferecer um panorama inédito sobre a atuação de artistas PCDs no Brasil.
Karen lembra que não há dados concretos sobre a quantidade de artistas PCDs em atividade, o que torna o debate ainda mais invisível.
“Tem muita gente boa precisando de uma chance, gente talentosa que é PCD e que tá aí tentando mostrar seu trabalho. O espaço existe, mas ainda precisamos quebrar muitas barreiras para que todos possam ocupá-lo de forma igualitária”, ressalta.
“Tem muita gente boa precisando de uma chance, gente talentosa que é PCD e que tá aí tentando mostrar seu trabalho. O espaço existe, mas ainda precisamos quebrar muitas barreiras para que todos possam ocupá-lo de forma igualitária”, ressalta.
Segundo o IBGE, em 2022 o país contabilizava cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, o que corresponde a 8,9% da população com mais de dois anos.
“Apesar desse número expressivo, a participação de pessoas com deficiência nas artes ainda é limitada, devido a barreiras como falta de acessibilidade em espaços culturais, escassez de oportunidades e preconceito. Iniciativas como o Mapeamento Acessa Mais são passos importantes para mudar esse cenário e promover uma cultura mais inclusiva e representativa", conclui Karen.
Arte que transforma
O espetáculo CorpoMundo celebra a inclusão e a diversidade de pessoas com e sem deficiências no palco. Com trilha sonora original, projeções e sinalização em Libras, se destacou na 19ª edição do Palco Giratório realizado em Porto Alegre.
O espetáculo foi produzido pela Companhia de Dança e Teatro Fábrica dos Sonhos, braço da ONG Pertence que atua no cenário brasileiro com propostas e soluções inovadoras e inclusivas. A obra reúne 20 artistas, dos quais 14 têm deficiência intelectual, e explora a relação entre o corpo e o mundo por meio da dança-teatro.
A montagem transcende a linguagem verbal e valoriza as múltiplas formas de expressão. O grupo atua desde 2018, e oferece oficinas em dança contemporânea, expressão vocal, improvisação e pesquisa do movimento. A encenação utiliza poucas palavras verbalizadas e possibilita dar ao corpo novas leituras, novas histórias, partilhando a dimensão poética da nossa existência, diversa, humana e presente.
“O sucesso do Grupo Fábrica de Sonhos em produções como CORPOMUNDO é um exemplo inspirador de como a arte pode ser uma ferramenta poderosa para promover inclusão, autoestima e transformação pessoal. Enquanto o grupo comemora seu sétimo aniversário, é impossível não reconhecer o impacto positivo que ele tem tido na vida dos participantes do grupo e na sociedade em geral, reforçando a importância de dar voz e espaço a todas as pessoas, independentemente de suas habilidades e diferenças”, destaca Victor Freiberg, presidente do Pertence.
Contatos do Colunista Luiz André Ferreira
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