Publicado 28/02/2026 14:54 | Atualizado 28/02/2026 15:58
Não existem mudanças que não perpassem pela educação. Aproveitando o início de mais um ano letivo, a pergunta inevitável é: como enfrentar a emergência climática sem formar gerações capazes de compreendê-la?
PublicidadeOs efeitos das tragédias ambientais já estão dentro das escolas. São aulas suspensas por diversos motivos. Telhados arrancados, inundações, calor excessivo, fumaça, baixa unidade do ar...
A dificuldade é transpor essa vivência para a grade escolar em formato de conteúdo de ensino. As políticas educacionais do mundo seguem aquém do maior desafio ambiental da história. O assunto mantém-se extracurricular, sem efetivamente ser incluído no conteúdo programático das instituições de ensino.
Clima fora dos Currículos
Dados da UNESCO revelam que mais da metade dos países ainda não inclui a temática climática em seus currículos escolares. E, entre os que incluem, muitos a tratam de forma superficial. Para chegar a essas conclusões, pesquisadores analisaram programas educacionais de 100 países.
Entre 58 mil professores entrevistados, 30% relataram não dominar metodologias pedagógicas adequadas para trabalhar a temática ambiental, demonstrando a carência de programas de formação continuada.
A gravidade mostra-se mais profunda se compararmos com outros dados da própria Organização das Nações Unidas: apenas 40% dos professores pesquisados se sentem confiantes para abordar a gravidade da crise Ou seja, o conhecimento científico avança, os eventos extremos se intensificam, mas a formação permanece aquém da urgência.
Brasil: Ausência na Prática
No Brasil, o cenário é semelhante, embora o tema tenha tido visibilidade nas discussões em torno da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Mas não basta constar na LDB se os educadores não se sentem seguros e preparados para inclusão do tema.
Enquanto isso, seus impactos seguem em ritmo acelerado. Dados do Censo Escolar do IBGE indicam que 15 milhões de alunos estudam em áreas com baixa resiliência a inundações e cinco milhões em regiões suscetíveis à seca. Em 2024, mais de 1,1 milhão de estudantes tiveram as atividades interrompidas por desastres ambientais, principalmente enchentes.
A gravidade mostra-se mais profunda se compararmos com outros dados da própria Organização das Nações Unidas: apenas 40% dos professores pesquisados se sentem confiantes para abordar a gravidade da crise Ou seja, o conhecimento científico avança, os eventos extremos se intensificam, mas a formação permanece aquém da urgência.
Brasil: Ausência na Prática
No Brasil, o cenário é semelhante, embora o tema tenha tido visibilidade nas discussões em torno da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Mas não basta constar na LDB se os educadores não se sentem seguros e preparados para inclusão do tema.
Enquanto isso, seus impactos seguem em ritmo acelerado. Dados do Censo Escolar do IBGE indicam que 15 milhões de alunos estudam em áreas com baixa resiliência a inundações e cinco milhões em regiões suscetíveis à seca. Em 2024, mais de 1,1 milhão de estudantes tiveram as atividades interrompidas por desastres ambientais, principalmente enchentes.
Resiliência Pedagógica
E ainda não estamos contabilizando adequadamente os efeitos das ondas de calor, que têm provocado suspensões de aulas em diferentes estados, exaustão térmica e dificuldades de concentração. A escola não ensina sobre a crise enquanto é diretamente afetada por ela.
O que tem sido chamado de resiliência pedagógica é, na prática, a tentativa de educadores de manter o calendário letivo em meio a eventos extremos. Na Região Amazônica, os profissionais de ensino lidam com dois extremos: estiagens severas e enchentes prolongadas. Ajustam cronogramas, reinventam metodologias e improvisam alternativas para tentar manter o mínimo de conteúdo didático.
* Luiz André Ferreira é professor universitário, jornalista, apresentador e podcaster. Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
Contatos:
e-mail: pautasresponsaveis@gmail.com
Twitter: https://twitter.com/ColunaLuiz
Instagram: https://www.instagram.com/luiz_andre_ferreira/
Linkedin: https://www.linkedin.com/in/luiz-andr%C3%A9-ferreira-1-perfil-lotado-
E ainda não estamos contabilizando adequadamente os efeitos das ondas de calor, que têm provocado suspensões de aulas em diferentes estados, exaustão térmica e dificuldades de concentração. A escola não ensina sobre a crise enquanto é diretamente afetada por ela.
O que tem sido chamado de resiliência pedagógica é, na prática, a tentativa de educadores de manter o calendário letivo em meio a eventos extremos. Na Região Amazônica, os profissionais de ensino lidam com dois extremos: estiagens severas e enchentes prolongadas. Ajustam cronogramas, reinventam metodologias e improvisam alternativas para tentar manter o mínimo de conteúdo didático.
* Luiz André Ferreira é professor universitário, jornalista, apresentador e podcaster. Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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