A estante azul da sala de estar traz nichos com objetos, momentos da vida dos moradores e lembranças de viagensDivulgação/Guilherme Pucci
Publicado 27/03/2026 19:08 | Atualizado 27/03/2026 19:08
Materiais naturais, a beleza do imperfeito, formas curvas, cores quentes e ambientes pensados para o bem-estar são as tendências de arquitetura para este ano. O arquiteto Bruno Moraes listou oito ideias que devem guiar os projetos, destacando que os lares estão deixando de parecer cenários de revista para se tornarem espaços mais humanos, afetivos e cheios de identidade. "Ninguém mais quer morar num ambiente perfeito de showroom, mas sim em uma casa que conte uma história, que tenha repertório, que tenha alma. A arquitetura está caminhando para um caminho muito mais humano, autoral e consciente", afirma Moraes. Confira:
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1 - Estilo pessoal e mistura de épocas. A casa deixa de parecer catálogo e passa a parecer biografia. A mistura de peças contemporâneas com mobiliário vintage e objetos afetivos ganha força dentro do conceito “moderno nostálgico'”, que mostra não se tratar de replicar estilos do passado, mas de incorporá-los com repertório e intenção. Não é sobre sair comprando tudo novo, mas sim misturar o contemporâneo com aquilo que carrega memória.
2 - Materiais naturais e a beleza das imperfeições. A estética excessivamente polida dá espaço à verdade dos materiais, como madeiras com marcas do tempo, pedras com veios irregulares e metais que oxidam naturalmente. Tudo aquilo que antes poderia ser visto como “defeito” e “imperfeito”, agora é valorizado como identidade. O movimento também resgata o uso de pedras brasileiras, pois durante anos, o mercado nacional priorizou mármores importados, como Carrara e Travertino, enquanto exportava suas próprias riquezas naturais. Agora, há uma valorização consciente do que é local e autêntico.
3 - Formas curvas e volumes orgânicos. As linhas retas e rígidas cedem espaço às geometrias mais suaves, porém a tendência vai além do sofá arredondado ou da mesa oval. Ela está na arquitetura do espaço, nas paredes curvas, nos encontros orgânicos entre forro e estrutura, nas sancas sinuosas e layouts fluídos.
4 - Paletas quentes. O reinado do off white e de tons neutros como o bege e o cinza nunca perderá seu posto, mas é fato que as cores quentes, terrosas e envolventes seguirão conquistando espaço nos projetos de interiores. Cores como chocolate, oliva, musgo, azuis profundos e até nuances sofisticadas de rosa aparecem nas paredes, teto, marcenaria e portas, muitas vezes em propostas monocromáticas que evidenciam imersão e volume.
5 - Espaços híbridos definitivos. Não parece algo novo, mas é: a lógica híbrida de trabalho, que promove uma mescla entre as atividades presenciais e os dias de home office deixou de ser improviso e passou a ser premissa. Isso significa que as casas precisam abrigar escritórios permanentes e funcionais. Não dá mais para ter um home office improvisado na ponta da mesa de jantar. No mundo corporativo, a lógica é a mesma. Os escritórios precisam ser mais acolhedores e humanos para competir com o conforto do lar.
6 - Luxo silencioso. Nesse tópico, a ideia é simples: menos ostentação, mais qualidade. O chamado “luxo silencioso” migrou da moda para a arquitetura de interiores em movimentos vistos por grandes marcas que consolidaram a ideia de sofisticação discreta com materiais impecáveis, mas sem logotipos evidentes.
7 - Novos materiais ecológicos. A inovação sustentável ganhou contornos surpreendentes nos últimos tempos. Entre os exemplos estão os painéis acústicos feitos de micélio (fungos), couros produzidos a partir de cacto, abacaxi ou resíduos ecológicos, além da impressão 3D em argila para a confecção de elementos vazados e até estruturas construtivas.
8 - Design regenerativo. Se a sustentabilidade já deveria ser princípio, o design regenerativo vai além, pois considera o impacto direto do espaço na saúde física e emocional dos usuários. Nesse ponto, o bem-estar do morador vem antes mesmo do layout. É considerado como uma tomada perto da cabeceira pode interferir no sono, um material com toxinas que podem evaporar com o calor e afetar a saúde ou até mesmo uma cor errada que interferirá no quadro emocional. A casa tem que ser reflexo da pessoa e precisa fazer bem a ela.
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