Publicado 13/04/2026 17:56 | Atualizado 13/04/2026 17:57
Cada vez mais populares no país, os carros elétricos e híbridos vêm mudando a rotina dos condomínios mais antigos, pois a maioria dos novos projetos já vêm com essa previsão de instalação. Estudo da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) afirma que 223 mil veículos foram emplacados no Brasil e a expectativa é de mais crescimento este ano. “A definição sobre instalação, rateio de custos e uso das vagas deve passar obrigatoriamente por deliberação em assembleia do condomínio”, explica Amadeu Mendonça, advogado patrimonial e especialista em Negócios Imobiliários. Segundo ele, a assembleia tem autonomia para deliberar sobre essas questões, sendo indicada soluções como o uso rotativo das vagas quando a capacidade energética do edifício não comporta a instalação de carregadores para todas as unidades.
PublicidadeOutra recomendação é que os edifícios criem fundos de reserva para diluir os custos de adequação às das novas normas, que têm sido implementadas pelo Corpo de Bombeiros em todos os estados, a fim de se regulamentar a instalação de carregadores elétricos nos edifícios residenciais. Essa é uma necessidade importante, alerta Mendonça, sobretudo com os riscos oferecidos pelos acidentes com as baterias de lítio, que chegam a altas temperaturas muito mais rapidamente do que um incêndio provocado por veículo a combustão. "O momento exige planejamento. Decisões tomadas sem estudo podem gerar riscos à segurança, conflitos entre moradores e até problemas com seguradoras", observa o advogado.
Além da infraestrutura elétrica, os condomínios poderão ser obrigados a investir em sistemas adicionais de segurança, como ventilação adequada, detecção de fumaça, alarmes e, ainda em discussão, a instalação de chuveiros automáticos (sprinklers). “O uso de tomadas comuns passa a ser vedado em ambientes fechados, elevando o custo e a complexidade das adaptações”, afirma Mendonça.
De acordo com o advogado, o cenário da mobilidade elétrica em São Paulo segue para uma regulamentação mais rigorosa com a atualização da Instrução Técnica 41 (IT-41) pelo Corpo de Bombeiros. A proposta, que recentemente passou por consulta pública, estabelece novos requisitos para a instalação de Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos (SAVE) em garagens residenciais.
Entre as principais mudanças está a proibição do uso de tomadas convencionais, extensões ou adaptadores, permitindo apenas os modos de recarga três e quatro em áreas internas. Cada ponto de carregamento deverá contar com circuitos exclusivos e dispositivos de proteção, como disjuntores e sistemas de desligamento de emergência integrados ao alarme de incêndio.
A nova norma exige ainda que toda instalação seja acompanhada por um responsável técnico, assegurando a conformidade com as normas NBR (Norma Brasileira Regulamentadora) e a viabilidade elétrica da edificação. "Os condomínios precisarão se adaptar gradualmente. Quem se antecipa, com laudos técnicos, planejamento financeiro e decisões coletivas, tende a enfrentar menos conflitos e custos no futuro", orienta Mendonça.
Amanhã, a coluna vai abordar o cenário no Rio de Janeiro com orientações da Abadi (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis) e de especialistas.
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